São Paulo - O dólar subiu em relação ao real ontem após dados de emprego dos Estados Unidos reforçarem no mercado a aposta de que o banco central americano poderá aumentar os juros no primeiro semestre deste ano. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou com alta de 1,41%, para R$ 2,746, o maior valor desde 15 de março de 2005, quando a moeda fechou cotada a R$ 2,771. No ano, o dólar à vista acumula valorização de 3,70%. Em 12 meses, o avanço é de 13,9%.
O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, teve avanço de 1,78%, para R$ 2,742, maior patamar desde 23 de março de 2005, quando encerrou a R$ 2,750. No ano, a moeda sobe 3%, e em 12 meses, 13,5%.
A percepção é que, com juros maiores nos EUA, recursos internacionais se direcionem para investimentos em títulos daquele país - remunerados pela taxa e considerados de baixo risco -, em detrimento de aplicações mais arriscadas, como em países emergentes. Diante da perspectiva de entrada menor de dólares no Brasil, o preço da moeda americana sobe.
Nos EUA, foram criados 213 mil postos de trabalho no setor privado, abaixo do esperado, mas o número de criação de vagas em dezembro foi revisado para cima, até 253 mil, ante 241 mil informados anteriormente.
"O dado mostra o bom ritmo de criação de emprego nos Estados Unidos, o que reforça a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) suba a taxa de juros até junho", avalia Maurício Nakahodo, economista do Banco de Tokyo-Mitsubishi. "Mas o Fed dá maior peso aos dados do relatório que será divulgado amanhã e que inclui empregos tanto no setor privado quanto no público", complementa.
Para Nakahodo, a desaceleração mostrada pelo setor de serviços da China também contribuiu para aumentar a pressão sobre as moedas emergentes, uma vez que o país asiático é um grande comprador de commodities.
O setor de serviços do país cresceu ao ritmo mais lento em seis meses em janeiro, conforme a expansão de novos negócios enfraqueceu, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do HSBC/Markit.
O Banco Central deu continuidade às intervenções diárias no mercado de câmbio, vendendo 2.000 contratos de swap cambial (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Foram vendidos 800 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.200 contratos para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a US$ 98 milhões.
O BC também vendeu a oferta integral de 13.000 contratos de swap para rolagem dos contratos que vencem em 2 de março, equivalentes a US$ 10,438 bilhões. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 18% do lote total.

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