O dólar comercial prosseguiu sua escalada ontem para fechar em novo pico do Plano Real, vendido a R$ 2,479, em alta de 1,10%. O Banco Central só observou o mercado cambial de longe. Talvez porque o BC quisesse se afinar ao discurso do ministro da Fazenda Pedro Malan, no exterior, que disse que ‘‘o BC nem sempre deve agir contra a direção do mercado quando há o sentimento de que o câmbio vai apenas em uma única direção’’. De fato, a intervenção de segunda-feira do BC no câmbio reduziu apenas parcialmente a alta da moeda no fechamento.
A ausência da autoridade monetária no câmbio ontem, apesar da nova disparada dos preços, também foi atribuída à percepção de que não faltou liquidez no mercado. Ontem, houve uma entrada de recursos não identificada e que levou o Banco do Brasil a oferecer venda estimada em mais de US$ 150 milhões, deprimindo momentaneamente as cotações. Também surgiu a expectativa de entrada de US$ 675 milhões referente à oferta pública de ações da Embraer. Na mínima, pela manhã, o comercial foi vendido a R$ 2,46, em alta de 0,33%.
Diretores e operadores de mesas de câmbio afirmaram que o avanço da moeda foi sustentado pelo giro de tesourarias de bancos (day-trade) e não pela procura por hedge (proteção), como ocorreu nos últimos dias úteis. Para eles, o cenário argentino ainda é sombrio e poderá manter o dólar volátil e pressionado, apesar da aparente aceitação das novas medidas pela população argentina.
Esses especialistas também acreditam que, por causa da relativa tranquilidade dos investidores locais argentinos ontem, o Copom poderá deixar de lado a idéia de dar uma pancada no juro, como forma de conter eventual aumento da inflação provocado pelo descontrole do dólar, e vir a promover um ajuste discreto na taxa Selic hoje.
A Bovespa ensaiou ontem uma reação com base na queda dos preços das ações, tanto em reais quanto em dólar, e na ausência de vendedores. ‘‘Quando o Índice Bovespa fica entre 14 mil e 14.500 pontos, a ponta de venda vai diminuindo’’, comentou o operador de um banco estrangeiro. O Ibovespa fechou ontem em alta de 0,31%, somando 14.400 pontos.
(Silvana Rocha, Marisa Castellani e Mario Rocha)

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