São Paulo - O mercado brasileiro teve ontem mais um dia de pessimismo, refletindo a turbulência nas Bolsas internacionais e a confirmação do crescimento de Ciro Gomes (PPS) e da queda de José Serra (PSDB) nas pesquisas. O dólar, mais uma vez, fechou em nível recorde do Plano Real, cotado a R$ 2,92, em alta de 0,62%, enquanto o risco País disparou, pulando de 1.619 para 1.729 pontos, devido às vendas pesadas de títulos da dívida externa. O C-Bond, o papel brasileiro mais negociado, recuou 2,94%, cotado a 59,813% do valor de face.
Os mercados de ações e de juros não passaram ilesos. A Bolsa fechou em baixa de 1,49%, em 9.745 pontos, o nível mais baixo desde 18 de agosto de 1999, enquanto a taxa dos contratos futuros de juros para janeiro subiu de 21,9% para 22,48%.
O diretor de Tesouraria do banco Lloyds TSB, Pedro Thomazoni, diz que há uma ''megacrise no mercado internacional de capitais'' que coloca uma forte pressão sobre o câmbio e sobre os títulos da dívida externa brasileira. ''Nesse cenário, o Brasil vai receber menos dólares, e é preciso se ajustar a essa realidade.'' No ano, o Dow Jones está em baixa de 23,83% e o Nasdaq, de 37,85%, o que dá uma medida da crise de confiança nos Estados Unidos.
Além desse cenário externo adverso, as incertezas políticas têm se intensificado ainda mais nos últimos dias, afirma Thomazoni. Ontem, foi divulgada a pesquisa do Vox Populi, com Luiz Inácio Lula da Silva (PPS) com 35%, Ciro com 27% e Serra com 14%. As sondagens indicam que Serra, o candidato preferido do mercado, pode ficar fora do segundo turno. Além disso, circularam rumores sobre uma pesquisa do Ibope que mostraria Lula com 32%, Ciro com 22% a 24% e Serra com 13% ou 14%.
No mercado de câmbio, o envio de recursos para o exterior por empresas e também por pessoas físicas continua pressionando as cotações, como afirma o diretor de Investimentos da Crédit Lyonnais Asset Management, Carlos Eduardo Rocha. Neste mês, até anteontem, as saídas por meio das contas CC5 (as contas de não residentes) totalizavam US$ 1,078 bilhão.
Para ele, as incertezas no cenário político e o fato de que até alguns dos maiores bancos americanos entraram no olho do furacão explicam a continuidade da pressão sobre o mercado brasileiro. A forte demanda por moeda americana no mercado à vista explica o fato de o dólar comercial ter fechado acima da cotação do contrato futuro de agosto, de R$ 2,909.

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