O dólar comercial oscilou durante todo o dia de hoje, apesar da relativa calma do mercado depois da forte turbulência de quinta. No final do dia, a moeda norte-americana atingiu o pico desde o início do Real e encerrou a semana vendida a R$ 2,174, com alta de 0,51% em relação ao dia anterior. O volume negociado no mercado de câmbio continua pequeno, como tem sido nos últimos dias. Com isso, negócios rotineiros mexem com a cotação do dólar.
As incertezas que o mercado ainda tem em relação à evolução dos problemas econômicos na Argentina têm feito as instituições financeiras realizarem o mínimo de negócios possível. ‘‘Enquanto o mercado não tiver uma visão concreta do que será feito na Argentina, o câmbio vai continuar pressionado’’, afirma Mário Battistel, da corretora Novação.
Como a justificativa para o Copom (Comitê de Política Monetária) aumentar a taxa básica da economia (Selic) na quarta foi preservar a meta de inflação, investidores esperavam que o BC entrasse no mercado vendendo títulos cambiais ou mesmo dólares para tentar conter a alta de ontem.
É que a valorização da moeda norte-americana tem impacto sobre a inflação. O repasse do aumento dos custos das empresas para os preços é uma forma de isso acontecer.
Mas o BC não atuou no mercado ontem, mesmo com o dólar chegando aos R$ 2,179, alta de 0,70%, no fim da manhã.
Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros, afirma que não houve nenhuma operação de maior valor. ‘‘As instituições ainda estão se ajustando à surpresa da alta dos juros.’’ O preço de fechamento do dólar novamente foi recorde desde a implementação do real em 94. Com a alta, a variação do dólar já chega a 25,7% em um ano. Neste mês, a valorização acumulada é de 6,26%.
As projeções dos juros na Bolsa de Mercadorias & Futuros terminaram o dia praticamente estáveis. O aumento de 0,50 ponto percentual fez as taxas dos contratos DI (Depósito Interbancário) dispararem ontem.
O contrato que concentra o maior volume de negócios, o DI com vencimento em outubro, fechou projetando taxa de 21,18%. Mesmo tendo oscilado pouco ontem, a taxa desse contrato está em um nível bastante elevado. Na quinta, o primeiro dia de negócios depois da alta da Selic que surpreendeu o mercado, a taxa pulou de 17,97% para 21,1%.

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