Dólar sobe mais. Alta no ano é de 16%
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segunda-feira, 23 de abril de 2001
Das agências De São Paulo 
O aumento do temor de que a Argentina declare moratória fez o dólar voltar a bater o recorde de sua cotação no Real e os principais títulos da dívida externa brasileira despencaram 2,34%. Mesmo a sinalização que os EUA deram sobre a possibilidade de ajudar a Argentina não foi suficiente para diminuir a pressão. A alta de 0,67% fez o dólar encerrar os negócios vendido a R$ 2,26. Neste ano, a alta acumulada já é de 16%. No ano passado, a moeda norte-americana acumulou valorização de 8%.
As declarações do senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), que assumiu ter recebido a lista de votação secreta do Senado, aumentaram o pessimismo que domina os negócios há algum tempo. Há o risco de default (calote) argentino e, consequentemente, o investimento estrangeiro pode cair ou sair daqui, afirma, Gilberto Kifouri, diretor de investimentos do BNP Paribas Asset Management. Isso pioraria ainda mais a quantidade de dólares disponíveis.
O reduzido volume de negócios nas últimas semanas tem ajudado a pressionar ainda mais o preço do dólar. Quanto mais aumentam as chances de a Argentina quebrar, mais as empresas e instituições financeiras procuram não vender os dólares que têm. E a expectativa de que a alta do dólar se mantenha leva os bancos a comprar a moeda mesmo sem necessidade de fazer remessas para o exterior. Em um momento de crise, a ordem é não se desfazer dos dólares.
O diretor de câmbio da corretora Novação, Mário Battistel, diz que a expectativa era que o mercado de câmbio tivesse um dia mais calmo ontem, depois do leilão de títulos cambiais realizado pelo BC na sexta. Mas os negócios estão muito reduzidos e qualquer compra média tem pressionado a cotação.
A valorização do dólar aumenta a expectativa do mercado em relação à continuidade da trajetória de alta da taxa Selic. O tamanho do contágio do aumento do dólar na inflação é uma das justificativas do BC para elevar os juros.
Na Argentina, o ministro da Economia, Domingo Cavallo, negou à tarde que haja qualquer plano do governo argentino de reestruturar a dívida. Segundo ele, a Argentina tem liquidez suficiente para honrar seus compromissos e não tem necessidade de recorrer a novos empréstimos. Cavallo também afirmou que não pedirá nenhum financiamento aos Estados Unidos. Mesmo assim, o mercado não enxerga outro caminho à Argentina que não seja a reestruturação da dívida e a desvalorização cambial. Uma das razões da desconfiança do mercado é a delicada situação financeira do país vizinho, que registrou déficit orçamentário no 1ª trimestre de US$ 3,122 bilhões, resultado que superou em US$ 1 bilhão a meta inicialmente estabelecida com o FMI de US$ 2,1 bilhões.


