São Paulo - O dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, ampliou a alta em relação ao real na última meia hora de negociações ontem e fechou acima de R$ 4 após duas quedas consecutivas. O movimento, segundo analistas, refletiu comentários da agência de risco Fitch Ratings sobre a nota de crédito do Brasil. A moeda já vinha subindo desde a abertura, na esteira de preocupações com a crise global geradas por sinais de desaquecimento da China e pela perspectiva de aumento de juros nos Estados Unidos ainda neste ano. Assim, entre as 24 principais moedas emergentes, 17 se desvalorizaram em relação ao dólar - o real foi a segunda divisa que mais perdeu, atrás apenas do rand sul-africano.
O diretor-executivo da Fitch, Rafael Guedes, sinalizou que o Brasil deve ter sua nota de crédito cortada em breve, mas ressaltou que historicamente as decisões de rebaixamento tomadas pela agência são de apenas um degrau. Com isso, o país manteria o selo de bom pagador, uma vez que sua nota atual na Fitch é "BBB" - dois níveis acima do grau especulativo. O dólar comercial subiu 3,37%, para R$ 4,109 na venda. Já o dólar à vista, referência no mercado financeiro e que fecha mais cedo (por volta de 14h30 de Brasília), avançou 1,71%, para R$ 4,099 na venda.
Para Lauro Vilares, analista da Guide Investimentos, mesmo que a crise política pela qual o país passa já tivesse alimentado perspectivas de corte da nota de crédito brasileira em algum momento, a sinalização da Fitch ampliou o sentimento de aversão ao risco entre os investidores.
"Uma coisa é ter perspectiva de que vai cair [a nota soberana do país], outra é ter uma sinalização da própria Fitch que isso vai ocorrer em breve", afirmou Vilares. No início do mês, outra agência, a Standard & Poor’s, cortou o rating brasileiro.
Segundo Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, o cenário interno segue sendo o principal fator de pressão ao dólar. "Há um ambiente de desconfiança em relação à política econômica. O mercado não confia na capacidade de o governo controlar suas contas. Isso tem influenciado o forte aumento do prêmio de risco de investir no Brasil", disse.

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