Moeda americana fecha em R$ 4,1555
O mercado de câmbio teve novo dia de nervosismo nesta terça-feira (11), embalado pela indefinição sobre as eleições deste ano. A moeda norte-americana chegou a encostar em R$ 4,18 pela manhã, mas perdeu um pouco de fôlego na parte da tarde e encerrou o dia em R$ 4,1555, alta de 1,77%, a segunda maior cotação do Plano Real. A pesquisa Datafolha divulgada na noite de segunda (10) mostrou o contrário do que o mercado esperava, após o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, ser esfaqueado na tarde de quinta-feira (6). Fernando Haddad, oficializado nesta terça como o candidato do PT, e Ciro Gomes (PDT) tiveram crescimento combinado de oito pontos, enquanto Bolsonaro oscilou dentro da margem de erro, para 24 pontos.

Indefinição política força posição defensiva
O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, sócio da consultoria Tendências, destaca que na ausência de maior clareza, o mercado busca posição defensiva e proteção no dólar. Em 2002, ressalta ele, havia estresse, mas a incerteza estava focada no que seria o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. No cenário atual, há cinco candidatos com chances de ir para o segundo turno. Para o economista da consultoria Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, as pesquisas estão sinalizando uma disputa muito apertada e os preços dos ativos e do dólar estão refletindo esta indefinição. O candidato preferido do mercado, Geraldo Alckmin, teve alguma melhora de desempenho, mas ainda está abaixo do esperado.

Setor financeiro puxa queda do Ibovespa
O resultado da pesquisa Datafolha gerou um forte movimento de aversão ao risco no mercado de ações e o Índice Bovespa perdeu 2,33% do seu valor, para 74.656,51 pontos. A queda do Ibovespa foi conduzida principalmente pelas ações do setor financeiro, que refletem em boa medida o risco político, além da liquidez elevada. Nesse grupo, o destaque foi Itaú Unibanco PN, que caiu 3,44% e respondeu pelo maior volume de negócios na bolsa, somando R$ 588,2 milhões. Banco do Brasil ON perdeu 4,53%, mas movimentou bem menos - R$ 337,7 milhões. Entre as 65 ações que fazem parte do Ibovespa, somente três terminaram o dia em alta. Foram as exportadoras Embraer ON (+0,60%), JBS ON (+0,32%) e Fibria ON (+0,22%) - todas refletindo a forte alta do dólar.

Percepção de risco refletiu também nas taxas de juros
Os juros futuros fecharam a sessão regular em alta, mais expressiva na ponta longa, que melhor reflete a percepção de risco político dos investidores. Os resultados da pesquisa Datafolha, sobre a corrida presidencial, mantiveram-se como o principal fator a conduzir os negócios, mas a pressão maior foi vista pela manhã. À tarde, as taxas reduziram a alta e bateram mínimas, em movimento considerado de ajuste de posições, após o forte estresse da manhã, quando, nos vencimentos longos, as taxas chegaram a subir mais de 20 pontos-base. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 8,53%, de 8,50% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2021 encerrou em 9,85%, de 9,79% no ajuste de segunda-feira. A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou em 11,63%, de 11,54%, e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 12,33% para 12,42%.

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