São Paulo – Enquanto via o dólar disparar para 2,60 pesos, o governo argentino continuava a receber novos baldes de água fria do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do principal acionista do organismo multilateral, os EUA. Ambos cobraram reformas e disseram que elas são a condição para que o país tenha novos créditos.
Os argentinos aguardam com ansiedade um novo empréstimo, mas isso ‘‘não faz sentido’’, disse a vice-diretora gerente do Fundo, Anne Krueger, durante visita à Rússia. ‘‘Obviamente não teríamos como fazer um empréstimo em uma situação em que eles continuam a apresentar as mesmas dificuldades’’, disse Krueger. ‘‘Isso não faz sentido para ninguém.’’
Já o presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou ontem, em Washington, horas antes de embarcar para o encontro de Monterrey (México), que o país precisa ‘‘tomar decisões difíceis’’. ‘‘Esperamos que a Argentina faça as reformas necessárias para conquistar a confiança das instituições internacionais, como o FMI’’, disse.
Para Bush, o primeiro passo seria reformular o Orçamento das Províncias, cujos gastos elevados são apontadas como uma das causas do déficit fiscal do país.
O governo argentino decidiu ontem reduzir a TEC (Tarifa Externa Comum) para a importação de 1.500 produtos. De acordo com resolução publicada no Boletim Oficial, a medida tem como objetivo baratear os produtos importados e conter a disparada da inflação no país.
Entre outras alterações, a alíquota de calçados e refrigerantes caiu para 22,5%, a tarifa de importação de leite em pó e queijos foi reduzida para 18,5%, a de frutas cítricas baixa para 12,5% e a de molho de tomate cai para 16,5%.
Os produtores brasileiros não serão beneficiados diretamente pela medida porque a TEC vale apenas para países de fora do Mercosul.

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