Dólar sobe e fecha cotado a R$ 2,314
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Folhapress 
São Paulo - O Banco Central interferiu mais uma vez no mercado de câmbio para tentar conter a escalada das taxas ontem, em um novo dia de pânico. Nas últimas operações, o dólar comercial foi cotado a R$ 2,314 na venda, em alta de 5,27%. Trata-se do preço mais alto para a moeda americana desde maio de 2006. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi negociado a R$ 2,420, com avanço de 4,31% sobre a cotação de ontem.
Os agentes financeiros entraram em pânico com a perspectiva de uma recessão global, reforçada desde ontem pelas notícias de prejuízos para empresas não-financeiras, a exemplo das gigantes americanas do setor automobilístico General Motors e Ford.
''O mercado ficou muito nervoso porque está vendo as empresas da ''Rua Principal' (a ''Main Street'', apelido em Wall Street para as empresas da economia real) também sendo afetadas pela crise financeira'', comenta Maurício Lima, diretor da corretora de câmbio Confidence. Lima observa que o mercado está ''sem parâmetros'' e que as cotações têm subido também sobre a especulação de alguns agentes financeiros num momento de incerteza extrema.
''Nós nos perguntamos muitas vezes porque as pessoas correm para o dólar, se o epicentro da crise está justamente nos EUA. A única resposta que nós temos é que, nesse momento, o mercado prefere correr para os títulos do Tesouro americano, que são os poucos ativos que são considerados de liquidez garantida'', acrescenta.
Em um cenário tão turbulento como este, profissionais do mercado de câmbio não se arriscam a projetar alguma taxa de câmbio. No curto prazo, a aversão ao risco deve manter as cotações pressionadas. E no médio prazo, a queda nos preços das commodities (matérias-primas) também deve contribuir para enfraquecer a moeda brasileira frente ao dólar.
A autoridade monetária já entrou no mercado pela manhã, às 10h40, quando realizou um leilão de venda de dólares. Pouco depois, o BC colocou no mercado US$ 589,3 milhões em contratos de ''swap'' cambial'', em um segundo leilão realizado à 12h45. E perto do encerramento das operações, o banco voltou mais uma vez à carga, com um novo leilão para venda de moeda, às 15h31.


