Dólar sobe e Duhalde manda endurecer
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2002
Por Ariel Palacios Correspondente 
Buenos Aires - Devagar, mas com persistência, o dólar abandonou a faixa dos 2,00 pesos que havia marcado na semana passada, para subir até 2,20 pesos ontem. Algumas casas de câmbio da City financeira portenha chegaram a registrar a cotação de 2,25 pesos. A alta da moeda americana fez o governo suar frio, pelo temor de que as previsões sombrias de diversos analistas se concretizassem, e o dólar alcançasse a faixa dos 3 pesos nos próximos dias. Nos últimos cinco dias, a desvalorização do peso foi de 12,8%.
Diante desse panorama, o presidente Eduardo Duhalde afirmou que deu ordens para uma intervenção que detenha a escalada do dólar. Segundo Duhalde, a intenção do governo é colocar o dólar em um patamar, se possível, entre 1,60 peso e 1,70 peso. Quem comprar dólares mais caros do que isso precisa saber que perderá. O dólar não vai disparar, sustentou o presidente.
Comentando a alta da moeda americana, o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, disse que tinha a certeza de que a cotação do dólar será estabilizada nos próximos dias em valores menores. Lenicov argumentou que o problema é que o mercado de câmbio ainda tem que se estruturar melhor, e isso pode levar alguns dias. Segundo o ministro, as cotações dos últimos dias referem-se às operações feitas pelas casas de câmbio, mas as grandes operações, de liquidações de exportações ainda não ocorreram.
No entanto, parte da alta da moeda americana teria sido causada pela demanda de importadores, que começaram a comprar dólares para pagar suas dívidas. No total, os importadores teriam que fazer pagamentos de US$ 4,5 bilhões.
O presidente Duhalde voltou a lamentar a falta de ajuda financeira do FMI. É terrível. Não acreditam em nenhuma palavra nossa, disse Duhalde ao referir-se ao andamento das negociações com o Fundo. Segundo o presidente, sem o apoio do FMI será muito mais difícil sair da crise.
Duhalde assegurou que passo a passo as tarefas de casa serão cumpridas, não somente para satisfazer o FMI, mas também porque existem necessidades internas.
Governadores - Ontem o governo continuou a negociar com as províncias, com o objetivo de eliminar as remessas de verbas federais em troca de uma participação na totalidade da arrecadação nacional. O fim do repasse de verbas federais, além de um drástico ajuste nos gastos dos governos provinciais, é uma das exigências do FMI para conceder ajuda financeira ao país.
As negociações foram realizadas entre a equipe do ministro Remes Lenicov e os secretários de Economia provinciais. Especulava-se que hoje à noite os governadores poderiam ter um encontro com o presidente Duhalde, para tentar chegar a um consenso. No entanto, durante a tarde, o próprio Duhalde admitiu que a possibilidade de um acordo rápido com os governadores seria um milagre.
O juiz federal Mariano Bergés proibiu hoje a saída do país de um grupo de 20 diretores dos bancos Sudameris, BankBoston, Banco de Galicia, Scotiabank Quilmes e Citibank. O juiz Bergés está investigando possíveis transferências ilegais de fundos para o exterior ao longo do ano passado. Dias atrás, outro juiz determinou a probição de saída do país para Eduardo Escassany, presidente do Banco Galicia, a maior instituição financeira privada ainda em mãos de capitais argentinos.


