Dólar sobe à espera da cor do dinheiro do FMI
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segunda-feira, 05 de agosto de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O dólar voltou a disparar ontem em ritmo de crise aguda. A falta de definições sobre quando e como virá o empréstimo do FMI, pagamentos pesados de dívidas externas de empresas e sinais de uma nova onda de deterioração das economias dos EUA e Europa deram cabo da rápida recuperação do real na semana passada. A alta dos juros em dólar pedidos pelo mercado ao BC acabou por deteriorar de vez o cenário.
A moeda dos EUA subiu 5,32% e fechou a R$ 3,17. O risco Brasil, medido pelo índice Embi+, do JP Morgan, também voltou a subir forte. O indicador fechou a 2.180 pontos, em alta de 6,5%. O FMI e a seca de dólares foram os principais motivos da degradação das perspectivas. Há uma grande concentração de vencimentos de dívidas de empresas nesta semana, que não deverão ser roladas.
Amanhã, estão previstos vencimentos de quase US$ 350 milhões. São dívidas do Santander e da Bandeirante Energia. Também houve rumores de que o Itaú teria comprado a moeda para liquidar a aquisição do Sudameris. O crédito externo para o Brasil está praticamente zerado, o que faz com que empresas comprem dólares no mercado à vista para quitar débitos. Esse é um dos motivos da escassez de dólares -há grande procura, mas a oferta está bastante reduzida.
A baixa do apetite é ainda evidenciada por números divulgados ontem pela Bolsa de Valores de São Paulo. Em julho, a Bovespa registrou saídas de recursos estrangeiros de R$ 772,7 milhões. No acumulado do ano, o saldo está negativo em R$ 1,165 bilhão. Acompanhando as fortes baixas das Bolsas dos EUA,
a Bovespa caiu 3,87% ontem. A queda já era esperada, como um correção, após o bom desempenho do mercado na semana passada.
A tensão no dólar começou pela manhã. O mercado esperava que o secretário do Tesouro norte-americano, Paul O'Neill, em visita ao Brasil, falasse sobre medidas concretas de socorro financeiro, o que não aconteceu. Analistas avaliam que o nervosismo só diminuirá quando for conhecido o novo acordo com o FMI.
Segundo operadores de mercado, se o acerto envolver ''só'' US$ 10 bilhões, o nervosismo deve piorar.


