São Paulo O dólar comercial subiu 2,69% no fechamento de ontem e terminou o dia vendido a R$ 2,970, com o mercado estressado por conta da suposta renúncia - mais tarde desconfirmada - do senador Tião Viana (AC) à liderança do governo. No mercado, o ''caso Viana'' foi recebido como uma ''barbeiragem'', que mostra profundas divergências dentro do PT.
Além disso, o cenário externo azedou de vez com a preocupação de deflação nos Estados Unidos, desvalorização internacional do dólar e estagnação das economias européia e asiática. O resultado foi uma nova realocação de investimentos que acabou detonando um movimento de realização de lucros no C-Bond, principal título da dívida externa brasileira.
Viana havia comunicado que renunciaria por conta do desgaste gerado pelo caso dos radicais, cujo processo de expulsão já foi iniciado na Executiva Nacional do partido. Logo depois, porém, recuou e decidiu permanecer como líder. ''O mercado, que já queria um motivo para fazer um ajuste, encontrou-o aí'', afirmou um analista. ''Pegou muito mal, porque revela profundas divergências no governo. O que é bom para que a administração petista veja que basta um leve vacilo para provocar nervosismo no câmbio.''
O C-Bond teve desvalorização de 0,98% ontem e acabou vendido a 88,625% do valor de face. Depois de o título ganhar mais de 32% no ano e atingir nível recorde, os investidores vendem para embolsar os lucros. O risco Brasil saltou 7,43%, para 809 pontos.
Isso não significa, porém, uma mudança na percepção dos investidores em relação à confiabilidade do país, mas estimula novo estudo do cenário político e econômico atual e das perspectivas. Para os especialistas, C-Bond estava sobrevalorizado, e os investidores começam a se perguntar se essa também é a situação do real. O dólar paralelo fechou em R$ 3,130 (+1,95%), e o turismo, em R$ 3,040 (+3,40%).

mockup