Dólar sobe 2,22% e ultrapassa os R$ 3
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sexta-feira, 01 de agosto de 2003
Sérgio Ripardo<br> Agência Folha 
São Paulo O dólar comercial rompeu ontem a barreira de R$ 3,00, o que não ocorria desde 28 de maio. No primeiro dia de agosto, a moeda norte-americana fechou vendida a R$ 3,035, uma alta de 2,22%. Durante a tarde, chegou a bater na máxima de R$ 3,045 (+2,56%).
Entre as principais razões para o salto do dólar, estão o desgaste político do governo na tramitação da reforma previdenciária, a crise com os movimentos sociais (MST e sem-teto) e a menor atratividade dos títulos da dívida brasileira no exterior.
''Começou agosto, o mês do cachorro louco. Vamos enfrentar problemas sérios. Os investidores estrangeiros estão se livrando de papéis de risco e correndo para os de empresas americanas que fizeram grandes captações, como a Ford e a GM. Hoje (ontem) nosso C-Bond afundou feio'', disse o diretor da corretora Pioneer, João Medeiros.
Os exportadores brasileiros festejaram a volta do dólar à casa de R$ 3,00. ''Sempre defendemos que a cotação ideal para a balança comercial era a moeda entre R$ 3,00 e R$ 3,20'', afirmou o diretor da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro. Com medo de que o dólar suba ainda mais, os importadores aproveitaram o dia para reforças suas compras de divisas.
''O que preocupa o mercado é o fato de que os governadores não querem dividir o ônus político das reformas nem desagradar o Poder Judiciário'', disse o gerente do banco Sudameris, Fábio Galdino de Carvalho. A crise política em Brasília levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a adiar sua viagem à África, agendada para a próxima semana.
A tendência é que a moeda americana permaneça acima de R$ 3,00 nos próximos dias. Segundo o diretor da corretora Pioneer, já se fala que em dólar a R$ 3,30 no final do ano. O dia foi movimentado, com o mercado de câmbio negociando mais de US$ 1 bilhão.


