Dólar sobe 0,97% e bate novo recorde
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terça-feira, 18 de setembro de 2001
Das agências <br> De São Paulo 
O dólar voltou a subir ontem, fe chando mais uma vez em ní vel recorde do Real, cotado a R$ 2,694 para a venda, em alta de 0,97%. A moeda operou a maior parte do dia em relativa estabilidade, mas passou a avançar com mais força depois que as bolsas americanas entraram no terreno negativo, para encerrar os negócios no vermelho. Apesar de o câmbio ter estabelecido mais uma máxima histórica, o clima do mercado foi razoavelmente tranquilo, segundo operadores.
O mercado está voltando ao normal, aos poucos'', disse na tarde de ontem um operador do mercado de câmbio, ao comentar a alta. ''Temia-se que uma queda brusca em Wall Street, na segunda-feira, pudesse abalar o moral da economia norte-americana. Por isso houve uma operação conjunta entre Fed, bancos e empresas para evitar o pior, criando uma situação de certa forma artificial'', afirmou um operador. ''Passado esse momento, a tendência é de os mercados irem se ajustando à realidade'', completou o operador, referindo-se ao pregão de ontem.
E a realidade, no ambiente doméstico, continua denunciando a fragilidade do real diante do dólar. A demanda pela moeda norte-americana é forte e contínua. Na ponta de venda, há praticamente apenas o Banco Central, que mais uma vez, ontem, vendeu dólares nas mesas de operações como parte de sua rotina diária de dar liquidez aos negócios.
O dólar chegou a subir 1,08%, sendo cotado a R$ 2,697. Foi a máxima do dia. O movimento mais forte de alta da moeda deu-se justamente no período vespertino, quando os índices Dow Jones e Nasdaq invertiam o sinal positivo para negativo. Ao mesmo tempo, a Bovespa também perdia força, reduzindo a alta de ontem.
A procura por dólar tem um motivo principal, desencadeado por dois fatores, segundo operadores: busca de hedge por causa do cenário político-econômico internacional e pela expectativa de que o fluxo de recursos estrangeiros tende a se reduzir.
Operadores lembram quem os ataques terroristas vêm dominando o noticiário há uma semana, retirando de cena fatos que anteriormente frequentavam as manchetes noticiosas. ''Não é porque alguns problemas ficaram menos frequentes nas conversas e nos jornais, que eles deixaram de existir'', afirmou um operador.
Entre estes 'problemas', os analistas destacam, em primeiro lugar, a desaceleração econômica mundial e brasileira. Também os problemas políticos no Congresso Jader Barbalho (PMDB-PA), que teve apoio da base governista para chegar à presidência do Senado, renunciou ontem ao cargo. Em terceiro lugar, a disputa política para eleições em 2002, que começa a esquentar. O racionamento de energia também é lembrado.


