O dólar subiu ontem 0,44%, fechando em R$ 1,82, o nível mais elevado desde 12 de janeiro. A pressão no câmbio deveu-se mais uma vez à instabilidade no mercado norte-americano: a perspectiva de uma alta mais forte dos juros nos Estados Unidos e as vendas de papéis de tecnologia que estariam sobrevalorizados derrubaram o Nasdaq, que encerrou o pregão em baixa de 5,59%. O Dow Jones, por sua vez, teve desvalorização menos expressiva, de 1,60%. No mercado de juros, as projeções dos contratos futuros de DI recuaram, ainda sob efeito da decisão do Tesouro de não vender os títulos prefixados no leilão da terça-feira, por considerar muito elevadas as taxas pedidas pelas institituições financeiras. Já o Índice Bovespa recuou 1,02%.
O mercado de câmbio continuou pressionado, por conta da instabilidade em Wall Street. Segundo operadores, a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) eleve os juros em 0,50 ponto porcentual na próxima terça-feira causa um desconforto entre as instituições, que montam posições compradas, apostando na alta das cotações. O fluxo de recursos teria sido equilibrado.
Além das indefinições no cenário externo, há um outro fator que está contribuindo para a pressão sobre o dólar. Neste mês, vencem R$ 5,3 bilhões de títulos cambiais, e o mercado especula como será a rolagem desses papéis. Nos últimos leilões de papéis cambiais, o BC tem vendido NBC-Es (títulos corrigidos pelo dólar) de quatro anos. Hoje não haveria demanda por papéis de prazo tão longo – a não ser que a autoridade monetária aceite pagar um juro muito elevado, entendem analistas. A questão é que, se não aceitar as propostas do mercado, a demanda por hedge (proteção) cambial tende a ser transferida para o mercado à vista.
O mercado acionário doméstico repetiu no pregão de ontem todos os movimentos da Nasdaq. A Bovespa fechou em queda de 1,01% em 14.433 pontos, entre a mínima de 14.239 pontos e a máxima de 14.586, e registrou movimento de R$ 741 milhões.
Vale ressaltar, no entanto, que apesar de ter se norteado pelas oscilações da bolsa eletrônica norte-americana, a queda da Bovespa foi muito menor, se comparada com a baixa da Nasdaq, que fechou a sessão desta quarta-feira com perda de 200 pontos, ou 5,57%, para 3.385,07 pontos.

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