Dólar sobe 0,3% com más notícias do país vizinho
O dólar iniciou o dia de ontem fortemente pressionado, com a Argentina no centro das tensões. Depois de chegar a bater em R$ 2,537 na primeira hora de negócios, a moeda perdeu fôlego e fechou com alta moderada de 0,32%, a R$ 2,51. A informação de que o governador da Província de Buenos Aires teria anunciado poder decretar moratória até o final deste mês, por não ter como pagar salários, voltou a aumentar o mal estar em relação à Argentina.
Ontem o Banco Central voltou a intervir no mercado, vendendo dólares. A ação do BC foi estimada por operadores em cerca de US$ 50 milhões, como tem sido nas intervenções diárias desde o último dia 5. Amanhã os negócios devem continuar agitados, com o mercado trabalhando com expectativas negativas em relação à Argentina, afirma o diretor de câmbio da corretora Novação, Mário Battistel. A Bovespa teve ligeira queda: -0,21%.
Notícias negativas não param de chegar da Argentina. Ontem foi divulgado o índice de desemprego no país o mais elevado desde 1997 que, segundo dados do Instituto de Estatísticas e Censos (Indec) aumentou de 15,4% em maio do ano passado, para 16,4% da população economicamente ativa no mesmo período deste ano. O anúncio foi feito ontem pelo Ministério da Economia, que também admitiu que na Grande Buenos Aires, o principal cordão industrial do país, o desemprego atinge 17,2% dos trabalhadores, o que indica um aumento de 1,2 ponto porcentual em relação ao ano passado. Nas principais cidades do interior, a proporção é de 15,4%. No entanto, em cidades como Rosario o principal pólo agrícola do país o desemprego chega a 20,2%.
Desde o ano passado, o número de desempregados cresceu em 206 mil pessoas. Desta forma, no total, existem 2,2 milhões de argentinos que não conseguem trabalho, o que indica que numericamente nunca antes na história do país existiram tantas pessoas sem emprego. Além destes, outros 2,1 milhões sobrevivem com trabalhos eventuais, e são considerados subempregados. Assim, um terço dos argentinos possui alguma espécie de problemas de trabalho.
A combinação entre notícias negativas, como a taxa de desemprego de 16,4%, a impaciência do mercado, a falta de confiança dos investidores externos e a greve geral fez mais uma vez subir a taxa de risco país para 1.595 pontos base (15,95%), bem próximo ao recorde registrado na quinta-feira da semana passada, quando o termômetro de desconfiança sobre a Argentina disparou. O aumento da desconfiança dos investidores, que também teve reflexo na Bolsa de Valores de Buenos Aires, que fechou em queda de 2,5%, não contagiou, porém, o sistema financeiro como na semana passada.





