O mercado cambial foi sacudido ontem por uma onda de boatos sobre a Argentina que provocou a disparada do dólar pela manhã e a desaceleração dos preços à tarde. No encerramento dos negócios, a moeda norte-americana estava em alta de 0,32%, vendida a R$ 2,50, em novo recorde desde 1º de julho de 1994. Rumores no meio da tarde de que a Argentina estaria preparando um swap de sua dívida interna chamaram tesourarias de bancos à venda de dólar, para realização de lucros. Essa movimentação, somada à intervenção do Banco Central vendendo moeda, seguraram a escalada dos preços. Ainda assim, neste mês, o dólar contabiliza ganho frente ao real de 8,13% e, em 2001, de 28,14%.
Pela manhã, o pronto subiu até 3,01%, indo a R$ 2,567, por causa da piora dos indicadores econômicos argentinos. A percepção do mercado apontava para uma iminente moratória ou desvalorização cambial pelo país vizinho. Isso porque o risco país da Argentina abriu em 1.315 pontos base e, às 13h10, atingia o pico do dia e do governo De la Rúa, de 1.331 pontos base. A Bolsa de Buenos Aires chegou a despencar 7,78%.
Especulações no início da tarde sobre um possível swap da dívida argentina e de que o FMI e outros organismos multilaterais poderiam oferecer uma blindagem financeira para o Brasil mudaram o rumo dos mercados. Segundo profissionais de mesas de operação de câmbio, essa ajuda financeira serviria para o Banco Central brasileiro segurar eventual disparada do dólar, caso a Argentina decrete o default ou a desvalorização do peso.
Além das dúvidas com o país vizinho, o mercado cambial continua atento aos fatores de inquietação domésticos. O risco político da sucessão presidencial de 2002 fez o mercado rejeitar, em boa medida, a oferta de papel cambial com vencimento em 2006 feita pelo Banco Central ontem. No leilão, foram ofertados 900 mil NBC-Es com vencimento em 12/10/2006, mas apenas 505.300 NBC-E foram vendidas à taxa de 13,20% ao ano, mais a variação cambial.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 2,89%, entre a mínima de R$ 2,4950 e a máxima de R$ 2,5670. O giro financeiro no D+2 pronto somou 1,383 bilhão, ante US$ 1,362 bilhão movimentados anteontem.
A Bovespa aproveitou-se do alívio no câmbio e no mercado de juros para fechar em alta de 1,78%. O volume financeiro também melhorou, totalizando R$ 707 milhões. (AE)

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