Dólar recua só 1% com leilão de crédito
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sexta-feira, 23 de agosto de 2002
Agência Estado 
Brasília - Na dúvida com relação ao sucesso da empreitada do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, na próxima semana, em Nova York, para retomada de crédito ao Brasil, alguns bancos preferiram se garantir com recursos oferecidos nos leilões de ontem para financiar linhas de comércio externo. Como há procura no mercado por esse tipo de crédito, o valor demandado pelos bancos foi bem maior do que o ofertado inicialmente e o Banco Central fez um leilão a mais. Apesar de a operação aumentar o volume de dólares em circulação no mercado, a taxa de câmbio recuou apenas 1%, fechando a R$ 3,11.
No primeiro leilão, ocorrido no final da manhã, a demanda dos bancos chegou a US$ 264,35 milhões, superando em mais de duas vezes e meia os US$ 100 milhões oferecidos pelo BC. A taxa da operação, que tem prazo de 180 dias, no entanto, foi bastante salgada: 6,1% ao ano. ''Como o BC chamou outro leilão e o mercado viu que havia disposição de entrar pesado com novas vendas, a taxa recuou um pouco'', avalia um operador de um grande banco estrangeiro.
No segundo leilão, realizado no início da tarde, a demanda continuou forte e totalizou US$ 234 milhões, mas a taxa caiu para 4,81% ao ano. O montante final da venda foi de apenas US$ 100 milhões. ''Mesmo com a queda, o custo da operação ainda é considerado elevado. Essa taxa inclui um prêmio em função da incerteza quanto à retomada das linhas para o Brasil'', afirma a economista Sandra Utsumi, do BES Investimento.
Os bancos que obtiveram as linhas de comércio no leilão terão até quarta-feira para repassar os recursos aos exportadores. Se isso não ocorrer, a instituição terá de depositar o dinheiro no BC, sem direito a remuneração. Na próxima semana, o BC deverá realizar novos leilões. Tudo depende do resultado das negociação de Fraga e Malan com os banqueiros em Nova York. Se os bancos que operam com o País decidirem manter as linhas de crédito ao Brasil, isso reduzirá a necessidade de o BC intervir para suprir a demanda dos exportadores.
O BC já anunciou que está disposto a vender até US$ 2 bilhões em linhas de comércio e que poderá elevar essa quantia. Com isso, o governo espera compensar a queda de quase 15% verificada nessa modalidade de crédito desde o início do ano e aliviar a pressão sobre a cotação do dólar.
Em janeiro, segundo o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Beny Parnes, o saldo das linhas destinadas à exportação pelos bancos estrangeiros para instituições no Brasil era de US$ 13,7 bilhões. Esse valor caiu para US$ 11,8 bilhões no dia 16 deste mês. Nesse mesmo período, as exportações e a procura por crédito cresceram.


