O dólar comercial encerrou ontem em queda pelo quinto dia útil consecutivo e com forte giro financeiro, o que sustenta a tendência de recuo dos preços. Mas, a piora da confiança do consumidor nos Estados Unidos em novembro e as declarações do ministro de Economia argentino, Domingo Cavallo, de que o FMI estaria pressionando o governo para adoção do câmbio flutuante, provocaram mal-estar à tarde e uma inversão de mão momentânea, com o dólar subindo 0,08%, a R$ 2,4820. No fechamento, houve um ajuste para baixo e a cotação caiu 0,32%, para R$ 2,4720, na venda.
Apesar do estresse passageiro à tarde, os fatores que sustentaram a queda forte, de até 1,17%, pela manhã prevaleceram. Segundo operadores das mesas de negociação, houve forte fluxo de entrada, mas não foi identificado o ingresso dos recursos da captação anunciada pela Ambev, de US$ 500 milhões.
As ordens de venda de moeda também foram acentuadas com a atuação de administradores de fundos cambiais, além das tesourarias de bancos, disseram os operadores. Os fundos já estariam desovando dólares, segundo operadores, por causa da frustração com as expectativas de eventual queda da taxa de juro básica (Selic) em dezembro ou no início do ano que vem. As declarações dos dirigentes do Banco Central de que a instituição poderá apertar a política monetária para cumprir a meta de inflação do ano que vem, voltaram a a chamar a atenção dos investidores em fundos para os ativos indexados ao juro.
De todo modo, o mercado não descarta uma interrupção passageira no movimento de queda do dólar, em caso de nova deterioração da situação argentina. As pressões do FMI para que a Argentina adote o câmbio flutuante foram interpretadas pelo mercado como sinal de que a ruptura no regime de conversibilidade pode ser iminente. Ontem, essa percepção provocou nova corrida de investidores para venda de títulos da dívida do país vizinho e a taxa de risco voltou a subir.
A taxa de risco país da Argentina, em consequência, voltou a subir 118 pontos e estava às 17h em 2.860 pontos base, ante 2.742 pontos base do encerramento de anteontem, informou o JP Morgan.
No mercado à vista de câmbio, o dólar comercial oscilou 1,26%, entre a mínima de R$ 2,451 (-1,17%) e a máxima de R$ 2,482 (+0,08%). Neste mês, a moeda contabiliza perdade 8,41% frente o real mas, neste ano, ainda acumula alta expressiva de 26,70%.

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