Dólar recua e Bovespa sobe em dia de calmaria
O mercado de câmbio brasileiro esteve mais comportado ontem, aguardando novidades concretas sobre eventual liberação de recursos à Argentina pelo FMI ou pelo governo dos Estados Unidos. Mesmo assim, o dólar comercial encerrou com tímida queda de 0,08%, a R$ 2,4930, depois de ter recuado até 1%, a R$ 2,47, pela manhã.
A decisão do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de enviar o subsecretário do Tesouro norte-americano, John Taylor, à Argentina hoje melhorou o ânimo dos investidores brasileiros. Segundo operadores das mesas de câmbio, como a maioria das empresas e das tesourarias de bancos está hedgeada (protegida) em dólar, por causa da falta de clareza sobre o futuro argentino, o preço da moeda oscilou ontem conforme o desempenho dos títulos da dívida externa do país vizinho.
O comportamento das reservas internacionais da Argentina também está sendo monitorado pelo mercado. Após o encerramento dos negócios, o Banco Central da Argentina informou que as reservas internacionais do país encolheram cerca de US$ 190 milhões de segunda para terça-feira, quando totalizaram US$ 18,34 bilhões (31/7), ante US$ 18,53 bilhões no dia 30/7. Essa perda de recursos é considerada pequena diante da fuga de cerca de US$ 500 milhões ocorrida de quinta para sexta-feira passada e que, anteontem, provocou a disparada do risco país argentino para níveis recordes.
No mercado à vista brasileiro, o dólar comercial oscilou 1,22%, entre a mínima de R$ 2,47 (-1%) e a máxima de R$ 2,50 (+0,20%). O giro financeiro no D+2 pronto somou cerca de US$ 1,404 bilhão, ante US$ 1,471 bilhão de anteontem.
Os juros futuros recuaram um pouco na BM&F, em consequência do alento dado pela viagem do sub-secretário do Tesouro dos EUA. As operações mantêm-se concentradas no contrato de DI para 1º de outubro, que encerrou o dia com projeção de juros de 22,24% ao ano, inferior à de 22,57% registrada no fechamento de anteontem. A projeção de juros do DI setembro caiu para 20,57%, ante 21,00% de anteontem. O DI janeiro encerrou com projeção de juros de 24,48%, também abaixo da registrada na quarta-feira, de 24,63%. E o DI a termo de um ano fechou o dia com projeção de 25,19%, ante 25,30% do fechamento de anteontem.
No morde-assopra do mercado, ontem foi o dia do alívio. Os pregões estiveram mais calmos. A Bolsa de Buenos Aires fechou em alta de 1,88%. O Ibovespa subiu 0,57%, e o volume financeiro negociado em São Paulo somou R$ 337 milhões. Em tempo: começou a batalha judicial contra a privatização da Companhia Paranaense de Energia. Copel PNB foi à mínima de -,64%, com a suspensão da audiência pública por liminar, à máxima de +1,19% com a cassação da liminar. Acabou fechando em baixa de 0,51%. (AE)
(Márcia Pinheiro, Silvana Rocha e Marisa Castellani)





