Dólar recua e bolsa sobe à espera do Copom
O mercado acionário aproveitou-se da trégua propiciada pelo feriado de San Martin na Argentina. A Bovespa teve um volume financeiro fraco para dia de exercício de opções. O giro total somou R$ 923,413 milhões, sendo R$ 345,957 milhões referentes ao exercício. O índice da carteira teórica paulista fechou em alta de 0,54%. O pano de fundo para a Bolsa, no entanto, manteve-se inalterado. Com a diferença que agora está claro para o mercado que o pacote financeiro para a Argentina poderá ser polpudo, mas estará fortemente condicionado a saídas para a armadilha do currency board (paridade entre dólar e peso).
Nada como um dia depois de outro dia no mercado financeiro. Se tudo parecia pior na sexta-feira passada e até mesmo no começo desta segunda , à tarde o mercado resolveu se animar. Bastou constatar a queda nos títulos da dívida externa, brasileiros e argentinos, em grande parte motivada pela liquidez apertada, quando um movimento pequeno de compra ou de venda é capaz de grandes efeitos no mercado.
Os juros futuros caíram na BM&F. E este movimento foi também uma consequência do ajuste das apostas das instituições financeiras para o consenso de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá decidir-se, amanhã, pela manutenção da taxa Selic em 19%, sem viés. O maior motivo desta aposta é o tranco do PIB no segundo trimestre do ano (queda de 0,99% em relação ao primeiro e alta de apenas 0,79% na comparação com o segundo trimestre do ano passado). O tombo foi maior do que o previsto pelos bancos e até mesmo pelo governo. Subir os juros, nesse cenário, seria engatar o País no trilho da recessão. Já reduzir seria uma aposta contra a habitual cautela do Copom.
A projeção de juros do DI setembro caiu para 19,61%, ante 19,79% de sexta. O DI novembro fechou com projeção de 21,44%, ante 21,75% de sexta. O DI a termo de um ano fechou o dia com projeção de 23,95%, ante 24,32% de sexta.
Com fraca liquidez no mercado à vista de câmbio, e praticamente nenhum comprador, as cotações inverteram de mão perto do encerramento dos negócios para fechar com queda de 0,04%, a R$ 2,5190, após dois úteis em alta. Durante quase todo o dia, no entanto, o dólar operou em terreno positivo e subiu até R$ 2,5450, em alta de 0,99%.
(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)





