São Paulo - O anúncio da vinda ao Brasil da vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, derrubou ontem o dólar, que fechou em baixa de 1,59%, cotado a R$ 2,8510, principalmente por causa da expectativa de que o País esteja negociando um acordo de transição com o organismo multilateral.
A notícia acentuou a venda de dólares por parte de alguns bancos, que aproveitaram para embolsar os ganhos recentes, uma vez que a moeda havia subido nos quatro dias anteriores.
A expectativa em relação à visita de Krueger também provocou a queda das projeções de juros - a taxa dos contratos de DI para janeiro caiu de 21,95% para 21,2% ao ano - e do risco País, que recuou 1.551 para 1.510 pontos.
O bom humor do mercado aumentou a demanda por títulos da dívida externa. O C-Bond, o papel brasileiro mais negociado, subiu 2,7%, fechando em 64,313% do valor de face.
O diretor-executivo da Unibanco Asset Management (UAM), Jorge Simino, é um dos que entendem que a perspectiva de um acerto com a instituição é que pode ter levado o BC a cortar a taxa Selic, surpreendendo a maior parte dos analistas. O raciocínio é que um acordo com o FMI poderia provocar um choque de expectativas positivo no mercado, que tenderia a derrubar ou pelo menos estabilizar o dólar. Com menos pressão sobre o câmbio, o repasse da desvalorização para os preços diminui.
O diretor de Tesouraria do Banco Santos, Clive Botelho, diz que o anúncio da vinda de Krueger levou alguns bancos que estavam apostando na alta do dólar a desmontar essas posições, aumentando a oferta de moeda no câmbio. ''O mercado vive hoje um jogo de expectativas, e o sinal de que o Brasil tem apoio internacional agradou aos investidores.''
O diretor de Investimentos da ABN Amro Asset Management, Alexandre Póvoa, reconhece que o dólar caiu principalmente por causa da expectativa em relação à visita de Anne Krueger, mas lembra que há uma boa dose de especulação quanto a um acordo de transição com o FMI. ''A vinda de Anne Krueger mostra a boa vontade do FMI com o Brasil, o que é bastante positivo, mas daí a afirmar que haverá um acordo é prematuro.''

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