São Paulo Pela primeira vez em seis pregões, o dólar fechou em baixa. Ontem, a moeda americana caiu 1,30%, para R$ 3,405, e encerrou a semana em alta de 7,75%. O risco-país brasileiro também cedeu ontem, após cinco dias de alta. O indicador caiu 3,56%, para 1.977 pontos. O motivo para o alívio nos negócios foi, mais uma vez, o cenário eleitoral.
Nesta semana, operadores atribuíram a alta do dólar a boatos sobre pesquisas de intenção de voto. Na segunda-feira, a especulação era em torno da possibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer as eleições já no primeiro turno. Ontem, teria vazado ao mercado resultado de pesquisa Ibope/CNI, que apontaria queda de José Serra (PSDB). A pesquisa, divulgada ontem, apurou que Serra manteve o mesmo percentual da avaliação passada, 19%. E Lula caiu dois pontos percentuais, para 39% dentro da margem de erro da pesquisa.
O resultado causou alívio porque Serra é o candidato do mercado, uma vez que a seus olhos representa a continuidade da política econômica. Ontem foi um dia de grande volatilidade cambial, assim com toda a semana. A moeda abriu em queda, mas chegou a se valorizar em 0,58%. O momento de maior tensão ocorreu após o Banco Central não aceitar propostas para rolar parte de sua dívida atrelada ao câmbio. Divulgada a pesquisa, a moeda voltou a cair.
O BC também anunciou que não vai rolar os vencimentos do próximo dia 25, e os investidores entenderam que não era possível manter o cupom cambial em níveis tão elevados como os dos últimos dias, avaliam analistas.
Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), o cupom cambial projeção do valor da taxa de juros em dólar recuou após atingir níveis recordes nos últimos dias. O FRA (Forward Rate Agreement, que melhor mede o cupom cambial) de prazo mais curto fechou a 41% ao ano chegou a beirar 50%. A taxa paga pelo governo quando rola vencimentos de sua dívida indexada ao câmbio segue o cupom cambial.
Fraga O presidente do BC, Armínio Fraga, disse ontem no Rio que ''vivemos um claro exagero cambial quando se tem em mente um horizonte de médio prazo''.
Segundo Fraga, o sistema de câmbio flutuante que vigora no País ''cumpre seu papel, sem dúvida nenhuma, e em alguns momentos mais do que cumpre''. A existência do câmbio flutuante, em lugar do virtualmente fixo, que vigorou até janeiro de 1999, foi destacado por Fraga como uma das virtudes que o atual governo deixará ao próximo. ''Espero ser realista, sereno e frio, como exige o momento, mas positivo'', afirmou.
Para justificar o tom positivo, ele afirmou que os países que entraram em crises profundas conviviam com o que chamou de ''os quatro pecados capitais da economia e das finanças'': câmbio fixo, desequilíbrio fiscal, fragilidade do sistema financeiro e exagerada presença de dívida de curto prazo. Segundo Fraga, o Brasil não convive com nenhum dos três primeiros problemas.

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