Dólar recua a R$ 1,837
Agência Estado
De São Paulo
A perspectiva de novas captações externas do setor privado ainda neste fim de ano provocou uma nova redução do dólar ontem. A moeda fechou a R$ 1,8370, na mínima do dia, registrando uma queda de 0,70% em relação à véspera. Segundo o economista-chefe do BBV Brasil, Octavio de Barros, o ambiente mais propício para captações brasileiras, que estava previsto para o início do ano, está sendo antecipado.
O sentimento que mais vem contribuindo para a queda avassaladora do dólar, que já recuou 4,39% desde o início de dezembro, é a certeza de que não faltarão recursos até a virada do ano, o grande temor do mercado. Os recursos estão entrando no País com as emissões feitas por empresas ontem, por exemplo, a Usiminas assina uma operação de empréstimos no valor de US$ 120 milhões.
Além disso, as exportações estão surpreendendo nos primeiros dias de dezembro. Segundo informações de bancos bastante ativos em comércio exterior, o valor médio diário das exportações nos primeiros dez dias de dezembro registrou um aumento de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
Por fim, a venda antecipada de dólar por parte do BC, com a intenção de evitar problemas na virada do ano decorrentes do bug do ano 2000, definiu a trajetória de queda da moeda. Para o economista do BBV, no entanto, o governo tem ainda outro motivo para as intervenções que vem fazendo no mercado cambial por meio da venda de títulos.
O dólar influencia muito o Índice de Preços no Atacado (IPA), uma variável crucial do Índice Geral de Preços (IGP), que baliza as tarifas públicas, e portanto o governo tem interesse em mantê-lo baixo neste momento. Mas seria ingênuo imaginar que isso continuará no ano que vem.





