Dólar recua 9,22%, maior queda do Real
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quinta-feira, 01 de agosto de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O dólar sofreu seu maior tombo no Real ontem. Vendida 32 centavos mais barata no fim do dia, a moeda norte-americana despencou 9,22%, para encerrar os negócios a R$ 3,15. O dólar não caía desde o dia 18 de julho. Apesar da queda recorde, é cedo para falar em mudança de trajetória do dólar, avaliam analistas do mercado financeiro.
As declarações do porta-voz do FMI (Fundo Monetário Internacional), Thomas Dawson, e do secretário do Tesouro dos EUA, Paul O'Neill, melhoraram o humor do mercado, que espera ansioso pelo fechamento de um acordo do país com a entidade.
O Banco Central interveio logo na abertura dos negócios, vendendo dólares. Operadores afirmam que a intervenção ficou em torno dos US$ 150 milhões. Além disso, o BC realizou leilão de linha externa de US$ 150 milhões.
A quinta-feira de boatos em torno de reportagens de revistas semanais também voltou a atacar. O mercado especulou ontem que pesquisa da Toledo & Associados mostrará uma queda de três pontos do candidato Ciro Gomes (PPS) e um crescimento de quatro pontos de José Serra (PSDB).
Analistas apontam a preocupação com o futuro político brasileiro como um dos principais motivos para o estresse do mercado. A possibilidade de que um candidato de oposição vença as eleições causa nervosismo, mas a tensão é ampliada pela turbulência internacional. Escândalos financeiros envolvendo empresas norte-americanas fizeram com que o investidor estrangeiro perdesse o apetite para o risco. A soma dos dois fatores fez com que o crédito para o Brasil secasse. A empresas se viram a obrigadas a comprar dólares para honrar compromissos que não estavam sendo rolados.
A queda do risco Brasil também ajudou a acalmar os ânimos. O risco-país recuou 10,7%, para 2.060 pontos. A forte alta dos C-Bonds - principais papéis da dívida externa brasileira - ajudou a melhorar a taxa. Operadores afirmam que nos dois últimos dias o BC comprou C-Bonds devido à baixa cotação dos títulos. Ontem, a alta dos papéis foi de 7%.
''Não podemos esquecer que o dólar ainda acumula alta na semana. Até quarta, a moeda tinha subido 15%. A diminuição do nervosismo no mercado vai depender do tamanho da ajuda que o Brasil conseguir com o Fundo'', diz o diretor de tesouraria do banco Fator, Sérgio Machado. Anteontem, o dólar chegou a ser vendido a R$ 3,61.
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou praticamente estável, em baixa de 0,03%. O Ibovespa, índice que reúne as 57 ações mais negociadas no pregão paulista, está em 9.759 pontos. O giro financeiro foi de R$ 750,95 milhões, ainda acima da média diária dos últimos meses. Durante o dia, o comportamento do indicador foi bastante volátil. Ele oscilou entre queda de 2,24% e valorização de 1%.
Após as fortes altas dos pregões anteriores - de segunda a quarta a Bolsa acumulou alta de 5,9% -, o mercado de ações viveu um dia de realização de lucros.
No mercado futuro os juros chegaram a subir fortemente pela manhã. Mas, com a queda de 9,22% do dólar, a alta não se sustentou. Os contratos para janeiro de 2003, que concentram o maior número de negócios, fecharam com pequena variação. Passaram dos 25,31% de anteontem para 25,38% ontem.


