O dólar comercial prosseguiu no movimento de queda iniciado na sexta-feira por causa da expectativa de que o Senado argentino aprove até amanhã o pacote de corte de gastos deferido pelos deputados no fim de semana e também de que o governo brasileiro e o FMI cheguem a um novo entendimento até a próxima sexta-feira. O mercado espera que o governo obtenha um aporte adicional de recursos do fundo que permita ao País enfrentar, sem arranhões, eventual ruptura futura na Argentina. O fluxo positivo de ingresso de recursos e a venda de dólares pelo Banco Central no mercado à vista também determinaram a trajetória descendente ontem. A moeda norte-americana fechou no nível mais baixo desde 3 de julho, vendida a R$ 2,4150, em queda de 1,51%.
O mercado de juros deu continuidade, nesta segunda-feira, ao movimento de redução dos prêmios nos contratos, considerando que a Argentina ganhou fôlego com o acordo político em torno do programa de déficit zero. Retirada a perspectiva de um desfecho explosivo e imediato da crise – default ou desvalorização –, cai por terra também a hipótese de alta brusca dos juros aqui. Daí, a devolução de parte dos prêmios de risco.
Mas a grande expectativa do mercado agora é outra: a de que o governo acerte com o Fundo Monetário Internacional a prorrogação do acordo que expira em 1º de dezembro. Trata-se de uma espécie de escudo anticrise argentina, com o qual o Brasil tentaria se proteger em caso do tal desfecho explosivo – um pouco mais à frente – para a situação do país vizinho. O Ministério da Fazenda finalmente confirmou que a eventual prorrogação do acordo será discutida em Washington esta semana. O mercado já falava disso nas duas últimas semanas.
As apostas agora são sobre o montante de recursos que o FMI disponibilizaria para o Brasil nessa prorrogação do acordo. Segundo analistas de mercado, o volume deveria ser superior a US$ 10 bilhões, para garantir uma certa tranquilidade.
A Bovespa continuou padecendo de falta de fluxo nesta segunda-feira, o que inviabilizou um fechamento positivo. Apesar da alta de 1,07% da Bolsa de Buenos Aires, do recuo do risco Argentina para 1.389 pontos-base e da sensível estabilização da taxa-over em dólar, para 11,5%/13% ao ano, o Ibovespa fechou em baixa de 0,17%, com volume financeiro de R$ 401 milhões. Alguns operadores chegaram a creditar o desempenho pífio do mercado paulista às baixas dos índices Dow Jones (-1,44%) e Nasdaq (-2,01%).
(Silvana Rocha, Marisa Castellani e Márcia Pinheiro)

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