Dólar provoca nova alta no preço do pãozinho
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de julho de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
O pão francês de 50 gramas pode ter nova alta de preço nos próximos dias. Os moinhos já estão negociando com as panificadoras um novo repasse de aumento do trigo para compensar a escalada do dólar. O proprietário do Moinho Guth, de Curitiba, Roland Guth, disse que o preço do trigo está novamente defasado. No Moinho Guth a defasagem é da ordem de 10%. Recentemente, os moinhos elevaram em 20% o preço da farinha de trigo.
Guth disse que o preço praticado hoje na venda de farinha não permite a reposição dos estoques de trigo. O clima é de excessiva instabilidade e os moinhos não falam mais em lucro e os moinhos estão preocupados em repor os estoques. Segundo o empresário, o trigo representa 85% do custo dos moinhos e os outros 15% referem-se a custos com insumos (tarifas públicas), que também estão pressionando os gastos, lembrou.
Guth, que também é presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), informou que os aumentos de preços estão sendo negociados diretamente pelos moinhos, conforme a planilha de custos de cada um. Segundo Guth, o momento é de muita apreensão e os donos de moinhos não sabem o que pode acontecer com a importação de trigo. Guth prevê um período difícil para a comercialização do trigo neste mês e em agosto, até a entrada da safra nacional do trigo.
Segundo o empresário Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, de São Paulo, o trigo já acumula uma alta de 42% este ano. Isso sem contar o reajuste das tarifas públicas, embalagem, transporte e mão-de-obra. Pih disse que a cada cinco minutos é preciso refazer os cálculos para saber quanto o pão francês precisa subir para compensar os custos.
Se a situação está difícil para os moinhos imaginem para as padarias, regiu a empresária Lourdes Marçal, proprietária da Panificadora Piracicabana, da Vila Nossa Senhora da Luz, em Curitiba. Representante do Sindicato da Indústria da Panificação, Lourdes Marçal disse que toda semana os vendedores dos moinhos aparecem com novas tabelas. Parece que voltamos ao período inflacionário e isto é um inferno, afirmou.
Segundo ela, cada moinho apresenta um preço diferente. Atualmente Marçal está comprando o mix para pão do Moinhos Guth que custa em torno de R$ 20,00 a embalagem com 25 quilos. O volume dá para fazer 600 pãezinhos. De acordo com a empresária, as padarias estão praticando diversos preços, de acordo com a região em que se encontram. Segundo ela, está difícil aumentar o preço do pãozinho, porque a população não compra.
Em Curitiba, o preço médio do pãozinho varia entre R$ 0,15 a R$ 0,18 a unidade. Lourdes Marçal acha que quem já está praticando esse preço não vai fazer novo reajuste, porque vai enfrentar dificuldades para vender. Mas segundo ela, ainda têm padarias que vendem o pãozinho a R$ 0,12 e estas, certamente, terão que reajustar para R$ 0,15, no mínimo, porque correm o risco de acumular prejuízos.
Em São Paulo, o reajuste no preço do pão deve ultrapassar 10%, prevê Pih. Atualmente o preço do pãozinho está cotado em R$ 0,20 a unidade na capital paulista.


