O dólar operou com forte volatilidade ontem e voltou a encerrar em novo pico do Plano Real, pelo segundo dia consecutivo, a R$ 2,4220, na venda, em alta de 0,71% sobre o fechamento de anteontem. Esse avanço ampliou o ganho da moeda norte-americana frente o re al neste mês para 1,98% e, em 2001, para 24,14%.
O comercial teve três comportamentos distintos durante o dia: subiu pela manhã por causa do fluxo negativo; recuou à minima do dia (R$ 2,40) no início da tarde, segundo alguns operadores de mesas, após o Banco Central ter feito consultas de taxas a dois bancos dealers, o que levou algumas tesourarias a apostarem numa intervenção e se anteciparem na venda de moeda para realização de lucros; e, no fim da tarde, voltou a retomar a alta por causa do aumento de procura por moeda e ausência de vendedores, inclusive do BC.
Segundo um diretor de mesa de câmbio, o destaque de compra de dólar à tarde foi o Banco do Brasil. Essas compras seriam destinadas à Petrobras, que tem programada uma saída significativa de recursos para honrar compromissos no exterior nos próximos dias.
Os profissionais de câmbio acreditam que, apesar do elevado patamar de preço, não há limite para novos saltos do dólar. Uma das razões, afirmam, é a expectativa de continuidade do fluxo negativo. Neste mês, há grande concentração de vencimentos de captações feitas por empresas no exterior, que estão sendo honrados em vez de rolados por causa das incertezas sobre a trajetória do dólar.
As dúvidas de investidores sobre o real impacto do racionamento de energia na atividade econômica do País e em relação à sucessão presidencial de 2002 também mantêm o mercado cauteloso e o dólar pressionado.
A Argentina é a quarta incógnita para o mercado. Aparentemente, a percepção sobre o país vizinho melhorou por causa dos resultados positivos do swap (troca) de títulos da dívida. No entanto, ainda há preocupação sobre a capacidade de o governo argentino tirar o país da recessão econômica e também vir a honrar seus compromissos financeiros.
Ontem, no mercado à vista, o dólar oscilou entre a mínima de R$ 2,40 (-0,21%) e a máxima de fechamento, de R$ 2,422 (+0,71%). Segundo o BC, a Ptax (média diária da cotação) fechou cotada a R$ 2,4078, na venda.
A Bovespa não deu bola para a alta do dólar nem para a queda das bolsas em Nova York e Buenos Aires. O Índice Bovespa fechou em alta de 1,52%, motivado pela ausência de novas notícias ruins e, principalmente, pelo vencimento ontem do Ibovespa futuro de junho. FN27> (Marisa Castellani, Mário Rocha e Silvana Rocha)

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