Agência Estado
De São Paulo
O mercado de dólar descolou ontem de Nova York e do cenário político interno e registrou fortes oscilações de preços, sem definição de tendência. De acordo com operadores, as cotações do dólar oscilaram ao sabor de operações de montagem e desmonte de posições compradas e vendidas no mercado à vista, arbitradas com contratos de câmbio futuro negociados na BM&F. Operadores também assinalam que o mercado ‘‘operou cupom cambial’’, aproveitando as oscilações do câmbio e dos juros durante o dia.
As cotações do dólar subiram e desceram várias vezes durante esta sexta-feira, ficando entre a máxima de R$ 1,8880 (alta de 0,43%) e a mínima de R$ 1,8650 (queda de 0,80%). No encerramento dos negócios, o dólar fechava em baixa de 0,21%, cotado a R$ 1,8760. Na BM&F, por sua vez, os contratos de câmbio futuro fecharam em alta de 0,32% (R$ 1,8880 para vencimento setembro) e de 0,47% (R$ 1,909 para vencimento outubro).
É certo que o dólar fechou em baixa ontem. Mas, segundo operadores, a queda foi muito mais o reflexo de uma ‘‘briga de cachorro grande’’ do que consequência da alta em Nova York, por exemplo.
O índice de preços ao produtor norte-americano (PPI) salvou o dia das bolsas de valores. Subiu apenas 0,2% em julho, ante uma expectativa de alta de 0,3%. Mais uma vez, o mercado adiou o medo de o Fed elevar os juros para conter as pressões inflacionárias. Em consequência, o Dow Jones disparou 184 pontos, para 10.973 pontos, enquanto o juro projetado pelo T-bond de 30 anos recuou para 6,099%. Embalada pela boa notícia, a Bovespa fechou em alta de 1,34%, mas o giro financeiro foi muito pequeno, totalizando apenas R$ 339 milhões. A Bolsa do Rio teve queda de 1%.
A mesma briga de bancos verificada no mercado de câmbio foi observada no mercado futuro de DI, particularmente no período da tarde. O PU novembro - correspondente ao contrato de maior liquidez atualmente na BM&F - sofreu alguma volatilidade, chegando a cair mais de 50 pontos, no mesmo momento em que o dólar comercial atingia sua máxima no dia, graças a atuações simultâneas de instituições financeiras nos dois segmentos. Mas foi por pouco tempo e o volume de negócios concretizado foi pequeno. Preços e projeções de juros no DI acabaram encerrando o dia com pouca diferença em relação à véspera.

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