Curitiba - A alta do dólar alavanca as exportações das indústrias, torna alguns setores nacionais mais competitivos mas, por outro lado, os importados tendem a pesar mais no bolso do consumidor final. Ontem, a moeda bateu na casa dos R$ 2, mas não sustentou este patamar e fechou em R$ 1,98. Desde o início do ano até agora, o dólar já acumula uma alta de 13,71%.
Um dos principais motivos para a escalada da moeda é o problema da crise europeia, especialmente a instabilidade da economia da Grécia, que vem tornando mais provável a saída deste país da zona do euro. Isso provocou queda nas bolsas e levou os investidores a direcionarem mais recursos para o dólar. Por este motivo, o dólar disparou, segundo o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço.
Ele acredita que a tendência é o dólar voltar para o patamar de R$ 1,90. O consultor financeiro da Inva Capital, Raphael Cordeiro, também prevê que a alta da moeda dê uma trégua dentro das próximas semanas.
Lourenço disse que o setor exportador deve ser beneficiado. Com isso, será possível recuperar em parte as perdas decorrentes da queda do dólar. Os exportadores também sofrem com a carga tributária elevada, juros altos, infraestrutura deficiente e o excesso de burocracia. As commodities como a soja e carne são os setores que podem ter benefícios com o aumento da cotação da moeda americana.
Além disso, segundo ele, esse cenário dá fôlego para os segmentos que concorrem com os importados como têxtil, peças, partes e componentes, máquinas e equipamentos. Lourenço lembrou ainda que o consumidor deve pagar mais caro pelos produtos que têm componentes importados ou que são 100% importados. Além disso, quem possui dívida em dólar ou programou alguma viagem para o exterior também deve sofrer os efeitos.
O vice-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e coordenador do conselho temático de Comércio Exterior da entidade, Rommel Barion, disse que os reflexos positivos devem ocorrer para os setores exportadores de alimentos, a agroindústria, vestuário e mobiliário. ''A alta do dólar deve, ao menos diminuir um pouco a desindustrialização'', disse. Os setores mais afetados com este problema têm sido têxtil, mobiliário, calçados, metalmecânico, máquinas e equipamentos e, agora recentemente, o de alimentos.
O lado negativo para a indústria, segundo ele, é o aumento do custo das matérias-primas que pode vir a pressionar a inflação.

Imagem ilustrativa da imagem Dólar na casa dos R$ 2 pode alavancar as exportações
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