Brasília A valorização de 6,2% do real frente ao dólar em março permitiu uma expressiva queda da parcela da dívida pública atrelada à taxa de câmbio e reduziu o crescimento do estoque de débitos em títulos do governo. De acordo com dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central, a dívida cambial caiu R$ 11,41 bilhões de fevereiro para março. O estoque de débitos do governo em títulos ficou em R$ 649,7 bilhões, um crescimento de apenas 0,75% no período. Mantida a tendência de queda na cotação da moeda americana, a aposta dos técnicos do governo é de uma nova redução da parcela de dívida cambial este mês.
Em setembro, durante o período mais agudo da desconfiança dos investidores sobre a economia brasileira, a parcela de débitos atrelada à variação cambial chegou a bater em 40,67% do total da dívida. Agora em março, esses débitos somavam R$ 225,44 bilhões, o equivalente a 34,70% do estoque da dívida, o menor nível registrado desde junho de 2002, quando alcançou 33,15%. ''Tudo indica que teremos um impacto positivo (da queda do dólar) no fechamento da dívida este mês'', disse o chefe-adjunto do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do BC, Ivan de Oliveira Lima.
Até o dia 17 deste mês, pela cotação do dólar naquele dia, a parcela de débitos cambiais já estava em 32% do estoque da dívida, uma queda de quase três pontos porcentuais em relação ao fechamento de março.
A valorização do real em março também proporcionou um ganho para o BC nas operações feitas com contratos de defesa ante variações cambiais, os chamados swaps. Como as instituições financeiras que adquiriram esses contratos apostavam numa alta do dólar, a queda da cotação acabou resultando em um ganho de R$ 2,4 bilhões para o BC. A continuidade da queda do dólar já criou este mês, até o dia 22, um ganho de R$ 7,6 bilhões para o BC com essas operações. Nos dois primeiros meses do ano, o BC havia registrado uma perda de R$ 4,8 bilhões para os bancos com essas operações.
Apesar dos efeitos positivos da queda do dólar, o estoque de débitos em títulos do governo acabou crescendo 0,75%. Dois fatores foram preponderantes para justificar esse aumento, segundo o coordenador-geral de Administração da Dívida Pública do Tesouro, Paulo Valle. Em primeiro lugar, o crescimento vegetativo da dívida, já que sobre o estoque incide a variação dos juros, o que leva a um aumento natural dos débitos.
O outro fator foi a emissão líquida de títulos da dívida pública. Em março, o governo pagou R$ 29,3 bilhões de dívidas que venciam com a emissão de R$ 31,5 bilhões de novos papéis, o que proporcionou uma emissão líquida de R$ 2,2 bilhões.
A volta das ofertas de títulos prefixados pelo Tesouro garantiu um aumento da participação desses papéis no estoque da dívida, que passou de 1,98%, registrado em fevereiro para 2,41%, em março.

mockup