Dólar mantém alta e bate em R$ 1,94
Agência Estado
De São Paulo
O day-after ao anúncio das medidas do Banco Central (BC) para dar liquidez ao mercado de câmbio deixou a desejar. Ontem o dólar voltou a disparar e aproximou-se de R$ 1,94 na máxima do dia (R$ 1,938). A moeda norteamericana terminou o dia com alta de 1,41%, cotada a R$ 1,937.
O BC chegou a consultar algumas mesas de operação, mas, segundo operadores, não interveio no mercado. A deterioração das expectativas internas, aliada a rumores desmentidos de moratória no Equador, deixaram o mercado nervoso. A maior parte dos analistas brasileiros credita o nervosismo de ontem à questão política, embora também possa ter havido influência do comportamento do mercado norteamericano, que registrou alta nas taxas de juros dos títulos públicos. O enfraquecimento da liderança política do presidente Fernando Henrique Cardoso vem sendo considerado como negativo para o risco Brasil.
Ficou claro que as medidas anunciadas pelo BC não conseguiram reduzir a pressão sobre o dólar. O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, afirmou que não se pode esperar um efeito imediato das medidas anunciadas ontem. Mas, ao mesmo tempo, Gleizer demonstrou insatisfação com o comportamento altista do mercado, dizendo que em algum momento alguém vai perceber que a economia está crescendo num nível acima do esperado, que a inflação está baixa e que estamos cumprindo as metas fiscais e que não haverá pressão no balanço de pagamentos para o ano que vem.
A afirmação de Gleizer, dita quase que em tom de desabafo, vai ao encontro de análises que mostram que a economia real brasileira está com melhor desempenho. O PIB já mostrou recuperação no segundo trimestre do ano e a economia poderá fechar 99 com alguma taxa, mesmo que reduzida, de crescimento. A inflação deve atingir a meta firmada com o FMI e o desemprego parou de aumentar.
As bolsas de valores andaram na contramão dos mercados de câmbio e de renda fixa. O Ibovespa subiu 1,32%, enquanto o IBV carioca ganhou 0,88%. O volume de negócios em São Paulo somou R$ 480 milhões. Operadores creditaram a alta a um leve movimento de recuperação técnica.





