O dólar comercial interrompeu a trajetória de queda dos três últimos dias úteis para fechar na cotação máxima de ontem, a R$ 2,47, em alta de 2,28%. A perda de US$ 500 milhões nas reservas internacionais argentinas na última sexta-feira e a deterioração dos indicadores de confiança do país vizinho à tarde voltaram a trazer insegurança ao mercado brasileiro.
Além da procura por hedge ontem, houve compras de moeda para cobertura de posições na virada de mês por tesourarias de bancos e também a pressão de investidores posicionados em contratos futuros que vencem hoje na Bolsa de Mercadorias & Futuros.
Segundo o Banco Central, a Ptax (média das cotações) de ontem, que será usada hoje na liquidação financeira dos contratos futuros de dólar de agosto, ficou em R$ 2,4313, na venda. A maior procura por dólar no mercado à vista provocou aumento de 87,51% no giro financeiro para cerca de US$ 2,327 bilhões, ante US$ 1,241 bilhão anteontem. O BC argentino informou, no meio da tarde, que as reservas internacionais do País somavam US$ 18,62 bilhões no dia 27 de julho (sexta), ante US$ 19,12 bilhões no dia anterior.
Segundo um analista do mercado financeiro argentino, os investidores estão preocupados com as pesadas posições compradas nos mercados futuros e também com o nível das reservas cambiais. De acordo com essa fonte, se o governo argentino não promover uma desvalorização cambial, as perdas nessas posições (estimadas em cerca de US$ 5 bilhões até o final do ano) serão muito grandes. ‘‘Há dois meses os investidores não enxergam outro caminho para a Argentina que não seja o da desvalorização da moeda.’’ A fonte aposta ainda em eventual dolarização no país. ‘‘Se o ministro Cavallo for obrigado a desvalorizar o peso, ele (Cavallo) transformaria as reservas e também todos os depósitos financeiros em dólares.
‘‘A capacidade de o ministro Cavallo negociar com os credores parece estar se esgotando. Isso porque é cada vez menor a duração do otimismo causado por medidas aprovadas pelo Congresso ou o governo.’’ Apesar do pessimismo, alguns analistas do mercado também avaliam que a Argentina ainda poderá ter alguma sobrevida até as eleições parlamentares em outubro. No Brasil, no mercado à vista, o dólar comercial oscilou 2,32%, entre a mínima de R$ 2,4140 (-0,04%) e a máxima de fechamento. No Brasil, no mercado à vista, o dólar comercial oscilou 2,32%, entre a mínima de R$ 2,4140 (-0,04%) e a máxima de fechamento.
O Brasil corre atrás de um escudo anticrise argentina, junto ao FMI, mas o recesso da alta cúpula do fundo, especialmente dos 24 diretores executivos, pode acelerar ou postergar a aprovação de um acordo. Ou o acordo sai antes do dia 6 – quando entram em férias, por duas semanas, o diretor-geral do FMI, Horst Koehler, seus diretores adjuntos e os 24 diretores executivos que representam os países membros – ou fica postergado para depois do dia 20. Esta última hipótese seria mais uma ducha de água fria no mercado brasileiro. O contrato de DI futuro que vence em 1º de outubro – o mais negociado na bolsa – encerrou o dia projetando juros de 22,40% ao ano, ante 21,98% de segunda-feira. A projeção de juros do DI setembro subiu para 20,94%, ante 20,71% de anteontem. O DI janeiro encerrou com projeção de juros de 24,41%, ante 23,67% do fechamento anterior. E o DI a termo de um ano fechou o dia com projeção de 25,10%, ante 24,63% do fechamento de sexta.
O Ibovespa fechou em alta de 0,36%, e o volume financeiro somou R$ 370 milhões. Em Buenos Aires, o índice Merval subiu 0,29%.
(Silvana Rocha, Márcia Pinheiro e Marisa Castellani)

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