Dólar incentiva exportação de celulose e já há falta de papel
Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
Com a alta do dólar, o preço do papel para impressão subiu 60% no atacado durante o ano. A afirmação é de Altair Marinho Previato, 37, proprietário da Riatla Papéis Ltda, distribuidora para o Paraná, sul de São Paulo e sul do Mato Grosso do Sul.
Segundo ele, as fábricas integradas estão preferindo vender a celulose para o mercado externo ao invés de transformá-la em papel. Em janeiro, a tonelada do produto custava US$ 380 para a compra. Hoje, a mesma quantidade não sai por menos de US$ 580, sem contar o acréscimo do IPI (Imposto sobre Produtos Importados) e ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
Por conta disso, as fábricas não-integradas, que precisam adquirir celulose para produzir o papel, estão tendo dificuldades para encontrar a matéria-prima. No entanto, Previato afirma que em Londrina não há falta do papel no mercado, com exceção do superbond e florpost. São tipos de papéis coloridos de baixa produção devido ao custo de operacionalização.
Laurides Munhoz, 61, proprietário da Celopar, empresa de transformação e comércio de papéis, também reclama da alta no preço do produto. Ele compra e tinge o strong monolúcido e o couche auto brilho utilizados para decorar embalagens. A tinta também subiu e ajudou no encarecimento do produto.
Para Urias Alves, 63, proprietário da Papelaria Central do Relojão, a proximidade da campanha eleitoral de 2000 é um outro fator que deve ser considerado. Os fabricantes sabem que no próximo ano vai haver um consumo muito grande. Por isso, já estão aproveitando para ganhar bastante dinheiro.
De acordo com Alves, no final de 97, o preço do papel chegou a cair. Era o início do Plano Real, época em que a moeda americana estava em baixa, justifica o comerciante.
Apesar dos sucesssivos reajustes, as papelarias e livrarias de Londrina estão com os estoques em dia. Sérgio Akira Fugita, 27, proprietário da Livraria Acadêmica, disse que os comerciantes que têm conseguido segurar o preço do papel branco eventualmente têm ficado sem o produto. É a lei da oferta e da procura. Vende mais quem cobra menos com qualidade.
Segundo Kátia Santos, 33, dona da Papelaria Moderna, no último mês o papel sulfite, por exemplo, subiu cerca de 20% e a expectativa é de que os aumentos continuem. Na terça-feira, comprei um novo lote em Porto Alegre (RS) para escapar de uma nova alta antes do final do mês.
Previato não acredita nessa previsão. Com base em informações de seus fornecedores, ele afirma que em dezembro o preço do papel deve ficar estável à espera da reação do dólar após a virada do ano.





