São Paulo No balanço do ano, ganhou quem apostou no dólar. A moeda norte-americana desbancou a bolsa, lanterninha entre os investimentos. O dólar paralelo sustentou a liderança no período com uma valorização de 20,37%, um pouco à frente do comercial, que acumulou valorização de 18,71%. A Bolsa de São Paulo despencou ao último lugar, carregando uma perda de 11,02%.

Em dezembro, as posições se invertem. Neste mês, as ações voltaram a liderar, pelo segundo mês consecutivo, a corrida dos investimentos mais rentáveis. A Bolsa de São Paulo fechou o último mês do ano com valorização de 5%, com ampla vantagem sobre o segundo colocado, os fundos DI, que renderam 1,15% líquido. As posições intermediárias foram ocupadas pelas demais aplicações de renda fixa, como os fundos de renda fixa, com rendimento de 1,14%, e os CDBs para valores acima de R$ 100 mil, com 1,10%.
O investidor que apostou na valorização do dólar, por causa da rápida deterioração da crise argentina, ficou frustrado. O dólar comercial não se livrou da lanterninha que segurou em novembro e ficou, mais uma vez, com a última posição desvalorização de 7,21%. O paralelo recuou 1,52%, depois de perder 7,17% no mês anterior.
A posição dos investimentos de risco nos dois últimos meses, com a bolsa no topo e o dólar na rabeira, traduz com fidelidade o sentimento que passou a permear o mercado financeiro. A partir de fins de outubro, os investidores passaram a separar o País, pelas condições macroeconômicas positivas que apresenta, da Argentina.
Três fatores, principalmente, contribuíram para essa distinção: a forte reação da balança comercial, que aponta para um superávit de US$ 2 bilhões neste ano e, por tabela, baixou a cotação dólar; o equilíbrio das contas públicas, com seguidos superávits fiscais primários (receitas menos despesas, sem incluir a conta de juros) que superam a meta acertada em acordo com o FMI; e a sensação de que a crise de energia caminha para o fim.
O otimismo foi reforçado nos últimos dias pelos sinais de inflação declinante, confirmada pela ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que fortaleceu a aposta de que o Banco Central poderá retomar o corte da taxa básica de juro, senão em janeiro, a partir de fevereiro. (leia mais na página 3)

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