Dólar fica caro e afasta investidores
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segunda-feira, 14 de setembro de 1998
Carmem Murara 
Depois da correria desenfreada pela compra de dólares na última sexta-feira, os curitibanos se acalmaram e a comercialização da moeda norte-americana praticamente voltou ao normal, ontem, na maioria das agências de câmbio e bancos em Curitiba. O Banco do Brasil, principal banco que trabalha com a venda de dólares, teve um movimento de venda 40% inferior ao registrado na sexta-feira. As filas de compradores desaparecerem nas agências de turismo, que liberaram o limite de compra de dólar.
A agência de Turismo e Câmbio Sigla foi uma que havia limitado em US$ 1 mil a compra de dólares na sexta-feira. Ontem, não houve a restrição porque a procura foi bem menor. As pessoas se conscientizaram que o valor do dólar estava alto e por isso desistiram um pouco da compra, avaliou o gerente da Sigla, José Maciel Pereira.
O gerente orientou os investidores a não recorrerem ao dólar como opção para ganhar dinheiro neste momento de instalabilidade financeira. Com alta taxa de juros, a melhor saída para ter uma boa rentabilidade é investir em fundos de variação cambial, disse Pereira. Ele acredita que a corrida atrás dos dólares representou o medo da maxidesvalorização.
O corretor Lindomar dos Santos, da corretora Alves Ferreira, também desaconselhou a compra de dólares neste momento. Não é vantagem porque houve aumento do dólar, afirmou. O dólar turismo fechou ontem, no Banco do Brasil, a R$ 1,29 para a venda e R$ 1,15 para a compra. Algumas agências de câmbio mantiveram o dólar em R$ 1,28 para venda e R$ 1,22 para a compra.
A expectativa do mercado de dólares é que a moeda norte-americana volte a patamares menores nos próximos dias. A cotação do dólar se comporta na direção contrária da Bolsa de Valores. Quando há queda nas ações, aumenta a procura pelo dólar e vice-versa. As Bolsas do Rio de Janeiro e São Paulo fecharam em alta ontem. Uma hora antes do fechamento do pregão, o Ibovespa chegou a 7,68%.
Para o gerente da agência Tiradentes do Banco do Brasil, Carlos Eduardo Andrade da Silva, a fúria atrás do dólar não deve se repetir ao longo da semana. A correria de sexta-feira passada representou o efeito psicológico do povo brasileiro, que se sente seguro recorrendo ao dólar, afirmou.
Em Londrina, ontem, o dólar foi fechado a R$ 1,25 para compra e a R$ 1,35 para venda em várias casas de câmbio. Na sexta-feira, o valor de compra era o mesmo, mas a venda era fechada a R$ 1,40.


