São Paulo - Após uma sexta-feira de grande volatilidade, o dólar comercial fechou a semana em baixa. A moeda norte-americana terminou o dia de ontem vendida a R$ 3,009, com desvalorização de 0,13%. Na semana, a queda acumulada é de 1,16%, enquanto no mês atinge 10,10%.
Diferentemente do que ocorreu na quarta e quinta-feira, o dólar não conseguiu ontem ser negociado abaixo do patamar de R$ 3. A mínima do dia foi de R$ 3,004.
O volume de negócios foi pequeno, sem operações de destaque. Os momentos de alta ao longo do dia podem ser explicados, em grande parte, por uma manobra de bancos para tentar realizar lucros: tesourarias compraram moeda para forçar as cotações a subir e assim poder vender os dólares que têm guardados por um preço mais alto. Mas vendas de exportadores e entrada de recursos conseguidos por empresas no exterior derrubaram as cotações.
As corretoras de câmbio também sugeriram a seus clientes que aproveitassem o preço relativamente baixo do dólar para comprar moeda, mas somente as empresas que têm dívidas vencendo em moeda estrangeira nos próximos dias seguiram o conselho. ''Não há empresas comprando'', desabafou um analista. ''O aumento da confiança dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil estimula as companhias nacionais a buscarem empréstimos lá fora, e o fluxo de entrada de recursos parece que vai se manter.''
Também há otimismo quanto à inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo, medido da segunda quinzena do mês anterior até a primeira do mês de referência (IPCA-15) de abril ficou estável em 1,14%, de acordo com as previsões, e analistas vêem queda na taxa a médio prazo. ''Demora um pouco, mas a redução nos preços dos combustíveis (anunciada pela Petrobras na quarta-feira) e as recentes desvalorizações do dólar vão fazer a inflação cair'', afirma Ivo Góes de Bessa, da corretora Levycam.
Para Bessa, a faixa dentro da qual o dólar vai oscilar nos próximos dias é de R$ 2,98 a R$ 3,05. ''É difícil a moeda se sustentar abaixo de R$ 3.''
Até o final do mês, quando deve haver mais novidades sobre as reformas tributária e da Previdência, a posição dos investidores deve ser de cautela.
O dólar turismo subiu 0,64%, para R$ 3,100, e o paralelo recuou 0,31%, para R$ 3,190.
O risco-país teve alta de 2,23%, para 870 pontos, e o C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, foi negociado a 85,874% do valor de face, com alta de 0,22%.

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