São Paulo - Na semana mais curta, de apenas quatro dias, devido ao feriado de hoje, o dólar acumulou alta de 3,8%. Mais do que isso: após uma série de baixas ao longo do mês, a moeda fechou ontem a R$ 3,68, mesmo patamar em que operava no fim de setembro, quando as cotações sofriam a tensão pré-eleitoral. A rolagem parcial de uma dívida cambial que vence na quarta-feira e a intervenção direta do Banco Central (BC) no mercado vendendo dólares à vista conseguiram reduzir a alta da moeda americana, que chegou a operar na máxima de R$ 3,724. No fim dos negócios, o dólar valia R$ 3,68 para venda e R$ 3,675 para compra, em alta de 1,37%.
Mesmo assim, é a maior cotação desde 30 de setembro, quando a moeda fechou a R$ 3,72 para venda. Já o risco Brasil cai 4,15%, para 1.753 pontos, após acumular três dias de alta.
O BC anunciou, ontem à tarde, que ofertaria contratos cambiais para tentar alongar a dívida de US$ 2,5 bilhões que vence na quarta-feira. Contrariando as expectativas, o banco aceitou as taxas de remuneração mais altas cobradas pelos investidores e, com isso, alongou 44,1% do vencimento (US$ 1,054 bilhão). Ontem havia vencido uma dívida de U$ 1,9 bilhão, da qual o BC alongou 58,5%.
Entretanto, o resultado só saiu às 16 horas, quando boa parte do mercado já tinha encerrado os negócios devido ao fim de semana prolongado pelo feriado de Proclamação da República.
A insistência do BC para rolar a dívida se deve ao dato de, desta vez, a dívida ser composta muito mais por títulos cambiais do que por contratos (''swap cambial''), ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos vencimentos.
A diferença entre os títulos e contratos cambiais é que os títulos são resgatados integralmente pelo governo, que paga, além do valor do papel, a variação do dólar. Já os contratos não são resgatados, mas apenas ajustados. Ou seja: no fim de um prazo pré-determinado, o governo paga ao investidor a diferença entre a variação dos juros e a do dólar no período, além de uma taxa de remuneração.
Em ambos os casos, a dívida é liquidada em reais, o que também explica a pressão sobre a taxa de câmbio. Mas segundo Marco Antonio Azevedo, gerente de câmbio do Banco Brascan, quando há vencimento de títulos a demanda por dólares é maior, porque o valor a ser pago pelo BC é mais alto.
Alguns analistas acreditam que a liquidação da dívida, sem rolagem, é positiva, pois a autoridade monetária reduz sua exposição cambial.
Bolsa - A Bovespa fechou em alta de 1,23%, aos 9.884 pontos, acompanhando o desempenho positivo do mercado americano. Com o resultado, a Bolsa paulista fecha a semana com uma leve valorização de 0,2%. No mês, está com perda acumulada de 2,7% e de 27,2% no ano.
O volume de negócios somou R$ 428,797 milhões, abaixo da média diária do mês (R$ 470,5 milhões). O giro foi inflado em R$ 38,543 milhões (quase 10% do volume total) referentes ao primeiro leilão de opções indexadas ao IGP-M.

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