Dólar fecha próximo ao recorde histórico
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quinta-feira, 19 de setembro de 2002
Agência Folha 
São Paulo O dólar subiu mais 2,83%, para R$ 3,45 ontem, e se aproxima da cotação recorde do real, R$ 3,47, de 31 de julho passado. O risco-país brasileiro, calculado pelo banco JP Morgan, subiu 5,6%, para 2.050 pontos seu maior valor desde 16 de agosto. O risco Brasil acumula alta de 19,2% apenas nesta semana.
O mercado continua nervoso e tende a ficar ainda mais com a proximidade e a indefinição das eleições presidenciais. A liquidez no mercado de câmbio permanece reduzida. O Banco Central, como tem feito diariamente, vendeu dólares no mercado à vista anteontem.
A moeda americana iniciou o dia em baixa caiu 0,75% pela manhã. O comportamento começou a mudar com novas especulações diante do cenário eleitoral.
Desde segunda-feira, operadores relacionam a alta da moeda a uma nova adequação de preços para embutir a possibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer as eleições já no primeiro turno. Na semana, a alta do dólar é de 9,2%.
O candidato do mercado é o apoiado pelo governo, José Serra (PSDB). Enquanto Lula não pára de crescer, Serra estagnou, de acordo com as últimas sondagens. Ontem, vazou ao mercado a pesquisa CNI/Ibope, com divulgação prevista para hoje. Serra teria caído um ponto percentual, para 18%, e Anthony Garotinho (PSB) teria subido dois, para 15%. Mais do que aos resultados das pesquisas, os boatos têm impactado fortemente as negociações.
À tarde, um anúncio feito pelo BC ampliou o nervosismo. A autoridade monetária informou que deverá rolar até 50% do R$ 1,5 bilhão em títulos cambiais que vencem na semana que vem.
Segundo a interpretação de analistas, a medida teria sido tomada porque a cotação do FRA (uma modalidade específica do cupom cambial) disparou nos últimos dias. O cupom cambial mede o preço dos juros em dólar.
Na sexta-feira, a taxa do FRA para janeiro de 2003, o mais negociado, era de 31,85%. Ontem, fechou a 46%. Essa alta sinalizaria que o mercado pediria juros muito altos para aceitar a rolagem dos papéis, o que aumentaria o nervosismo no câmbio.
A atitude do BC é atribuída à falta de procura por ''hedge'' (proteção cambial). Os investidores desejam ter a moeda em mãos e não fazer apostas para o futuro. Como prova disso, a cotação do dólar no mercado futuro permanece inferior ao fechamento no mercado à vista. Os contratos de dólar para outubro fecharam a R$ 3,427, ontem. Para novembro, a R$ 3,343.
A medida reduziu a alta do FRA, mas criou novo foco de preocupação. O título cambial paga juros mais a variação do dólar em determinado período. Logo, na véspera do vencimento dos títulos cambiais, os investidores que não irão continuar com os papéis podem pressionar ainda mais o dólar, para ampliar seus ganhos.


