São Paulo - O dólar oscilou ontem ao sabor do noticiário de guerra, mas acabou encerrando o dia praticamente estável, vendido a R$ 3,583 e comprado a R$ 3,578 - uma queda de 0,05%. Já o risco Brasil recua 1,36% para 1.298 pontos, menor pontuação desde 16 de janeiro.
Também pesou na cotação cambial a ação de dois grandes bancos, que teriam comprado uma quantidade expressiva da moeda norte-americana no início da tarde - Banco do Brasil e Santander, segundo operadores - e a entrada de importadores no mercado, que aproveitaram para adquirir dólares quando a cotação bateu na mínima de R$ 3,552.
O dia começou tranquilo e com um volume mais intenso de negócios diante da possibilidade de haver uma saída diplomática para as tensões entre EUA e Iraque. Os EUA acusam o Iraque de manter armas de destruição em massa em seu território.
Anteontem, no entanto, duas ações tiraram força da posição norte-americana, até agora apoiada incondicionalmente apenas pelo reino Unido.
No fim da tarde de segunda-feira, o Iraque anunciou que permitirá a vigilância aérea de seu território por aviões norte-americanos. Além disso, França, Alemanha e Rússia firmaram um pacto antiguerra que, ontem, ganhou a adesão da China, na defesa de uma solução pacífica para o conflito.
Ontem, porém, o secretário de Estado norte-americano, general Colin Powell, declarou ao Senado dos EUA que uma rede árabe de televisão que exibiu depoimentos com Osama bin Laden - líder da organização terrorista Al Qaeda, acusada pelos atentados de 11 de setembro nos EUA - teria novas fitas em que ele declararia seu apoio ao presidente do Iraque, Saddam Hussein.
A rede de televisão negou a existência de tais fitas. Mesmo assim, a notícia foi suficiente para agitar o mercado, que vem mantendo uma postura cautelosa ante a possibilidade de guerra.
A expectativa do mercado é que a guerra ocorra, mas apenas a partir de março.
Tanto que hoje, ao completar a rolagem de uma dívida cambial de US$ 2,5 bilhões que vence na quinta-feira, o Banco Central conseguiu pagar taxas inéditas pelos contratos mais curtos, de um mês, no patamar de 3% - até agora, o nível mais baixo registrado fora de 8%.

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