Dólar fecha o dia cotado a R$ 3,037
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quinta-feira, 17 de abril de 2003
Denyse Godoy<BR>cia Folha 
São Paulo - O dólar comercial fechou ontem em baixa de 1,87% e terminou a semana com recuo histórico de 4,14% - uma das maiores apreciações do real vista na história recente do câmbio flutuante no Brasil.
A moeda americana encerrou o dia a R$ 3,032 para compra e R$ 3,037 para venda.
Entrada de recursos estrangeiros, sinais de desaceleração da inflação e notícias consideradas positivas sobre o andamento das reformas da Previdência e tributária, que devem ser enviadas ao Congresso Nacional no final do mês, são citadas como responsáveis pelo bom humor do mercado cambial.
Ao contrário do que se esperava, o volume de negócios foi bom ontem, véspera de feriado prolongado da Páscoa.
O dólar turismo recuou 1,26%, para para R$ 3,120, e o paralelo caiu 0,62%. a R$ 3,200.
O feriado inclusive fez com que as empresas antecipassem negócios para o início da semana, mas as novas baixas registradas pelo dólar ajudou muitos a revisarem suas posições.
''O mercado comemorou o apoio que o presidente conseguiu dos governadores de Estados às propostas de reformas tributária e da Previdência'', disse Mário Paiva, especialista em câmbio da corretora Liquidez.
Os US$ 50 milhões conseguidos pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que entraram na quinta-feira e ontem, também ajudaram a derrubar as cotações.
Outro analista afirma que há uma expectativa positiva muito forte quanto à economia brasileira, alimentada pelos últimos números sobre inflação, a qual dá sinais de estar desacelerando, e sobre a balança comercial. Ele espera que, por conta disso, o Tesouro faça uma emissão soberana até o fim de abril.
Empresas importadoras, julgando que o dólar está barato, aproveitaram para comprar moeda. ''Não há um consenso, entretanto, sobre se o momento é ideal para reforçar caixa'', diz um operador. ''Por isso o movimento de compra não foi acentuado. Há quem acredite que a moeda norte-americana vai cair mais por conta do aumento do fluxo de entrada de recursos.''
Especulação - O medo de que o dólar recue mais provocou também especulação: quem tem moeda em caixa vendeu para comprar, depois, a preços mais baixos. Os bancos se destacaram nesse tipo de operação.
Nas últimas semanas, empresas brasileiras conseguiram grandes empréstimos no mercado externo por causa do aumento da confiabilidade do Brasil aos olhos dos investidores.
Sinal dessa confiança é o risco-país, que desaba 3,55%, para 868 pontos-base, e o C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, vendido a 86% do valor de face, com alta de 1,18%.


