O desmoronamento do mercado acionário norte-americano foi o principal fator de pressão que levou o preço do dólar a bater novo recorde desde o início do Real, em 94. A moeda dos EUA encerrou os negócios em R$ 2,178, com alta de 0,51%.
O valor do dólar comercial chegou a recuar no início da tarde para R$ 2,168, logo após o leilão de títulos pós-fixados realizado pelo Tesouro Nacional. Mas a aceleração das perdas das Bolsas dos EUA fez os investidores voltarem a pressionar a cotação da moeda.
O fato de o valor do dólar continuar em alta preocupa o governo por não ser claro o tamanho da contaminação desse movimento na inflação. Somente neste ano, a valorização da moeda norte-americana já está em 11,64%.
O maior custo das empresas na produção de determinados produtos – parte dos insumos utilizados por elas vem do exterior – e a elevação nos preços de bens importados são formas de esse repasse ocorrer.
Operadores afirmaram que as apostas de a Argentina dar um calote na sua dívida aumentaram ontem no mercado, devido à informação de que o déficit fiscal do país no primeiro trimestre superou em US$ 1 bilhão a meta fixada pelo FMI em dezembro. Esse temor levou a moeda à cotação máxima no dia – R$ 2,183.
Para Camila Lima, economista do Santander, ‘‘ainda há uma grande incerteza em relação à economia argentina, o que deve manter o câmbio pressionado por algum tempo’’.
Outro fator de tensão sobre o câmbio apontado pela economista é o resultado negativo da balança comercial brasileira, que teve os números do primeiro trimestre divulgados anteontem. ‘‘Os negócios continuam pequenos. Os exportadores (que vendem dólares no mercado de câmbio) estão fazendo apenas as operações estritamente necessárias’’, afirma João Medeiros, analista da corretora Pionner.
Como ninguém sabe o rumo da cotação do dólar nas próximas semanas, vender a moeda dos EUA agora pode significar perdas em pouco tempo. Apesar de a alta de ontem ter feito o dólar fechar em uma nova cotação recorde em relação ao real, analistas afirmam que é importante notar que a oscilação não foi muito grande no dia. A variação entre a cotação máxima e mínima foi de 0,69%. Nos momentos de maior tensão, há algumas semanas, essa oscilação diária chegou a ser de mais de 3%.
DefaulO risco de um eventual ‘‘default’’ (inadimplência) da Argentina é cada vez maior, de acordo com interpretações do mercado local. ‘‘O preço dos bônus estão indicando isso, embora acredite ainda que o governo tem condições de cumprir, pelo menos este ano, os seus compromissos externos’’, disse Renato Lessa, diretor-executivo da Exprinter Administradora de Valores. Ontem à tarde, os Bontes 01, com vencimento em maio deste ano, estavam rendendo 17%, taxa considerada excessivamente alta e que indica risco de incapacidade de cumprir compromissos de curto prazo.

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