Dólar fecha em R$ 3,30, com queda de 1,49%
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quarta-feira, 08 de janeiro de 2003
Agência Folha 
São Paulo A onda de otimismo no mercado que ontem ganhou bases concretas com a defesa da autonomia do Banco Central pelo governo e com uma grande captação externa pelo Bradesco empurrou o dólar para seu menor valor em 16 semanas. A moeda fechou em queda de 1,49%, cotada a R$ 3,295 na compra e a R$ 3,300 para venda. No ano, a moeda acumula baixa de 6,9%. Na mínima do dia, a cotação chegou a R$ 3,29.
O dólar abriu ontem em alta, pressionado pela compra de moeda por alguns bancos e empresas que aproveitaram a cotação relativamente baixa do dólar, atingida após uma queda de 3,03% anteontem. Mas a alta não resistiu e a moeda logo retomou a tendência de baixa iniciada em dezembro.
O mercado se animou com as declarações do ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) em defesa da autonomia operacional do Banco Central. O discurso de Henrique Meirelles, empossado ontem na presidência do BC, também foi considerado positivo pelos analistas. ''O discurso do Meirelles foi positivo, mas já era esperado. O mercado já confiava no Meirelles. Mas o Palocci defendendo autonomia para o BC teve um bom impacto'', afirmou Mario Battistel, diretor de câmbio da corretora Novação.
Outro fator que animou o mercado foi a divulgação de uma captação externa de US$ 250 milhões pelo Bradesco. O banco, o primeiro a captar recursos no exterior este ano, lançou a operação na última quinta-feira e esperava emitir US$ 50 milhões em eurobônus. A demanda, entretanto, surpreendeu, e o banco quintuplicou a oferta. Os papéis têm prazo de nove meses e o cupom ficou em 6,25% ao ano.
Bolsa Os investidores aproveitaram o dia para embolsar os ganhos dos últimos pregões, o que fez a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) cair 1,19%, para 11.876 pontos. O giro financeiro foi de R$ 549,921 milhões.
Segundo Álvaro Bandeira, da corretora Ágora Sênior, o volume menor que o de anteontem (R$ 602,630 milhões) indica que ''não existe grande pressão vendedora''. Ou seja, os operadores tentaram a realização mais forte de lucros de curto prazo.
A explicação dos corretores para essa queda em um momento de otimismo é que a Bolsa subiu muito nos últimos dias, então é a hora de vender as ações que acumularam fortes altas.
Os papéis preferenciais da Aracruz caíram 5,19%, a maior queda do pregão. A Siderúrgia Tubarão e a VCP (Votorantim Celulose e Papel) caíram, respectivamente, 4,55% e 4,44%. Entre as altas, destaque para as ações da Cesp, que subiram 3,46%.


