Dólar fecha em queda de 0,29% mesmo com intervenção do BC
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sábado, 04 de fevereiro de 2012
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Banco Central voltou a atuar no mercado de câmbio ontem e anunciou um leilão de compra de dólares a termo, confirmando expectativas que já circulavam há dias entre os agentes econômicos sobre uma possível intervenção em meio à recente série de quedas do dólar.
A data de liquidação será em 20 de março de 2012. É a primeira intervenção da autoridade monetária no mercado de câmbio neste ano e a primeira operação desse tipo desde 26 de julho de 2011, quando o dólar estava na casa de R$ 1,55. Desde o início do ano, o dólar já caiu cerca de 7,6%. O fluxo cambial ao país está positivo em US$ 6,501 bilhões nas quatro primeiras semanas de janeiro, sustentado praticamente pelo fluxo financeiro.
Operadores já vinham notando importantes ingressos de recursos ao longo de janeiro, oriundos principalmente de uma série de captações externas anunciadas por empresas brasileiras, iniciadas após o próprio governo fazer uma emissão internacional no início do mês passado. A última grande captação corporativa foi anunciada pela Petrobras, que lançou US$ 7 bilhões em bônus ao exterior na última quarta-feira. Mesmo com a intervenção do BC, ontem o dólar fechou com queda de 0,29% cotado a R$ 1,71.
O economista do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, disse que a cotação atual do dólar prejudica as exportações e favorece as importações. Segundo ele, a medida adotada ontem pelo BC ''é um remédio para diminuir a febre, mas não vai sarar o problema''. No entanto, ele considerou a medida necessária por conta do deficit que a balança comercial teve em janeiro. ''É uma medida pontual e pode resolver por um curto prazo'', afirmou.
Para ele, a compra de dólares anunciada pelo BC ainda não vai dar fôlego para os exportadores. Zurcher lembrou que o real vem se sobrevalorizando frente ao dólar desde 2006.
O economista destacou que os setores mais prejudicados nas exportações têm sido o de madeira - que também foi afetado pela crise imobiliária americana - e o têxtil. ''Estamos construindo uma bola de neve e, com os juros altos, deve entrar mais dinheiro no Brasil e derrubar o dólar'', explicou. Ele disse que os investidores estrangeiros acabam aplicando recursos no Brasil atraídos pelos juros altos.
Zurcher disse que a causa principal do problema no Brasil é a má administração pública. ''O governo deveria gastar menos para sobrar dinheiro com o objetivo de fazer investimentos em portos, aeroportos e infraestrutura em geral'', disse. Ele destacou que a previsão do relatório Focus do BC é que o dólar vai continuar na casa de R$ 1,70 a R$ 1,75 ao longo do ano.
O economista ressaltou também que o setor privado poupa hoje 18% do Produto Interno Bruto (PIB). Caso o setor público poupasse 5% do PIB, o País teria uma poupança de 23% e cresceria cerca de 5% a 6% ao ano. Hoje, o setor público poupa um pouco acima de 1% do PIB. (Com agências)


