São Paulo - Após uma manhã volátil, durante a qual registrou a maior cotação desde a criação do real em 1994 (R$ 2,862), o mercado cambial experimentou uma tarde tranquila ontem e permitiu o recuo de 2,07% do dólar, que fechou a R$ 2,778 na compra e a R$ 2,810 na venda.
A melhora no mercado de câmbio foi causada pela divulgação de nova pesquisa eleitoral, que indicava uma queda do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um crescimento de José Serra (PSDB). O levantamento CNT/Sensus mostra que Lula caiu de 40,1% para 36,1% das intenções de voto. Serra subiu de 13,3% para 20,9%.
Mas o baixo preço dos ativos brasileiros após uma desvalorização contínua nos últimos dias, tanto de títulos quanto ações, também ajudou, assim como a decisão do Banco Central de aumentar o recolhimento compulsório de depósitos em poupança de 15% para 20%, o que deve reduzir a liquidez do mercado (e o calibre para especulações) em R$ 6 bilhões.
Ontem também as reservas brasileiras engordaram em US$ 10 bilhões com a liberação de um crédito do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Brasil.
A queda registrada no dia pelo dólar não anulou, entretanto, a alta de 2,52% de sexta-feira, quando o dólar registrou seu maior fechamento perante o real. No mês, a moeda norte-americana já se valoriza 10,49% e no ano, de 20,13%.
Não foi apenas o mercado de câmbio que se acalmou. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) inverteu a tendência dos últimos pregões e fechou em alta de 3,47%, para os 10.759 pontos e com giro financeiro de R$ 616,821 milhões.
Ranking – Às 17 horas, o risco-país, medida da confiança do investidor estrangeiro na economia brasileira, que subiu ininterruptamente na semana passada, caía para 1.597 pontos. Com a queda, o Brasil subiu uma posição e agora está no terceiro lugar do ranking mundial de risco, perdendo para a Argentina (6.327) e Nigéria (1.631 pontos).
O risco-país é calculado pelo banco JP Morgan com base na diferença, em centésimos de pontos percentuais, entre os juros pagos pelos títulos da dívida de um país e os pagos pelos papéis do Tesouro norte-americano, considerados de risco zero.
O C-Bond, principal título da dívida brasileira no exterior, subia 7,22% para 61,3% de seu valor de face. Ontem, o Banco Central vendeu com ágio de 0,18% todo um lote de 730 mil LFTs (Letras Financeiras do Tesouro, títulos pós-fixados) com vencimento em novembro deste ano. A operação será liquidada hoje com papéis das carteiras dos bancos que vencem em 2003.

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