São Paulo – O dólar subiu ontem com força, fechando em alta de 1,89%, cotado a R$ 2,374, refletindo a apreensão do mercado quanto à retomada dos negócios na Argentina, que era esperada para hoje, mas foi novamente adiada. O temor de que haja uma desvalorização expressiva do peso e as incertezas acerca da reação da população levaram as tesourarias de bancos a comprar a moeda à tarde. Foi a terceira alta seguida do dólar, que encerrou o dia no nível mais alto desde 14 de dezembro.
O chefe de Derivativos do banco Lloyds TSB, Maurício Zanella, disse que a indefinição quanto à situação da Argentina realmente fez algumas instituições atuarem na ponta de compra, o que também se explica pelo fato de a moeda estar num nível relativamente baixo.
O diagnóstico do chefe da mesa de câmbio do banco ING Barings, Alexandre Vasarhelyi, é parecido: o dólar próximo a R$ 2,30 e o clima de incertezas na Argentina estimulou as tesourarias a arriscar algumas compras.
Para o estrategista-chefe do HSBC Investment Bank, Dawber Gontijo, a crise da Argentina foi um pretexto para a valorização das cotações. Ele entende que o dólar vai subir nos próximos meses porque tem de ficar num nível mais elevado para que se consolide a virada na balança comercial: ‘‘Se houvesse uma grande preocupação com a Argentina, o Brasil não teria emitido US$ 1,25 bilhão em títulos globais de dez anos na segunda-feira.’’
O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, disse que a decisão de leiloar 100% ou menos dos R$ 6,1 bilhões de títulos cambiais que vencem em fevereiro dependerá ‘‘das circunstâncias da rolagem’’. Figueiredo esclareceu que a instituição poderá até mesmo vender mais títulos do que os que vencerão, se considerar necessário.

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