São Paulo Índices de inflação acima do esperado motivaram a compra de dólares no mercado à vista ontem e fizeram a moeda norte-americana fechar em alta pelo terceiro dia consecutivo. O dólar comercial abriu com valorização de 0,97% e chegou ao final dos negócios com alta de 1,69%, a R$ 3,249 na venda.
Segundo Mário Paiva, analista da corretora Liquidez, a interrupção da desaceleração da inflação verificada em índices como o IPC- Fipe e o IGP-DI, da FGV, ''estressaram o mercado''. ''Os analistas começaram a reavaliar as previsões de inflação para o ano e estimativas para o juro. O governo não vai baixar a taxa enquanto a inflação não mostrar um recuo consistente'', disse ele.
Ontem, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fipe, apontou um novo avanço nos preços ao registrar alta de 0,81% nos últimos 30 dias, após ficar em 0,67% no fechamento de março.
O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado na quarta-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), aumentou para 1,66% em março, taxa maior que a de fevereiro (1,59%).
Já o IPCA, do IBGE, apontou taxa de 1,23% em março. Embora ainda esteja alta, ficou menor do que o 1,57% de fevereiro. No ano, porém, o IPCA acumula 5,13% o equivalente a 60% da meta de inflação de todo este ano, de 8,5%.
O volume de negócios no mercado, porém, foi pequeno ontem, concentrando-se principalmente no giro das tesourarias de bancos. A perspectiva, segundo analistas, é que nos próximos dias o dólar volte a recuar. Neste mês, por volta do dia 15, deve entrar no País recursos provenientes de uma captação de US$ 250 milhões feita pelo Bradesco, concluída no último dia 4. Ontem, o Unibanco anunciou a conclusão de uma captação no exterior no valor de US$ 100 milhões, por meio da emissão de eurobônus.

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