Dólar fecha em alta de 1,66%, cotado a R$ 3,66
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003
Luciana Coelho<br> Agência Folha 
São Paulo O dólar encerrou o movimento de ontem com seu maior valor em dois meses, cotado a R$ 3,665 para venda e R$ 3,66 para compra, numa alta de 1,66%. A moeda norte-americana não custava tão caro desde que fechou a R$ 3,74 em 13 de dezembro. Enquanto isso, o risco Brasil sobe 1,89% para 1.347 pontos.
A motivação para os investidores voltarem a comprar dólares é o temor de guerra no Iraque, cada vez mais forte. Os últimos dias foram de poucos negócios, com a maioria esperando fora do mercado para ter um cenário mais definido sobre a guerra. Ontem, eles voltaram ao mercado para comprar dólares e pagar contas no exterior antes que o conflito estoure.
Entretanto, as operações estiveram concentradas no mercado de dólar à vista -o chamado ''spot''- em detrimento ao mercado futuro, o que indica que o dinheiro não é para ''hedge'' (proteção cambial), mas para pagar contas. Ainda assim, a eclosão de uma guerra não significa necessariamente que a moeda avance para níveis ainda mais altos. Segundo Marco Antonio Azevedo, gerente de câmbio do Banco Brascan, o que está embutido na atual cotação é apenas o medo da guerra.
''Uma vez começada a guerra, teremos uma noção mais clara sobre quanto tempo ela demoraria e qual o tamanho dos prejuízos. Se essa noção for de uma guerra mais longa, o dólar ainda pode subir mais, mas se for de uma guerra mais rápida, a cotação pode voltar'', afirmou.
Hoje, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) se reúne para o chefe de inspeção de armas do organismo, Hans Blix, apresentar suas conclusões sobre o desarmamento do Iraque após visita ao país no último fim de semana.
O dólar chegou, ontem, a reduzir a alta e esboçar uma recuperação logo após o diretor de Política Monetária do banco central, Luiz Fernando Figueiredo, confirmar que as linhas para exportação leiloadas ao mercado no ano passado para melhorar o crédito das empresas e que vencem entre fevereiro e abril, num total aproximado de US$ 1,5 bilhão, serão recompradas em reais, e não em dólares, como se cogitou.
A notícia melhora a expectativa de liquidez em moeda estrangeira do mercado e pode refletir na cotação. ''Acho que daqui para frente, até a guerra, o dólar deve registrar quedas pontuais nos dias de vencimentos dessas linhas'', afirmou Azevedo. O primeiro vencimento, de US$ 238 milhões, está marcado para o dia 21, sexta-feira da semana que vem.


