Dólar fecha acima de R$ 5 pela 1ª vez na história

Nesta segunda, a Bolsa brasileira teve o quinto circuit breaker do mês, abrindo em queda de de 12%;no fechamento, o Ibovespa despencou 13,92%, a 71.168 pontos

Júlia Moura/Folhapress
Júlia Moura/Folhapress

 

Em algumas casas de câmbio, dólar chegou a ser vendido acima de R$ 5,28
Em algumas casas de câmbio, dólar chegou a ser vendido acima de R$ 5,28 | Nelson_A_Ishikawa/iStock
 


São Paulo -  Nesta segunda-feira (16), a cotação do dólar fechou em alta de 4,55%, a R$ 5,0480, novo recorde histórico nominal (sem contar a inflação). O turismo é cotado a R$ R$ 5,1880 na venda. Em algumas casas de câmbio, chega a ser vendido acima de R$ 5,28.

Em termos reais (corrigidos pela inflação), a moeda americana ainda está longe de sua máxima de 2002. Se for considerado apenas o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50. A alta da moeda é fruto da aversão a risco do mercado com o avanço do coronavírus e seus efeitos na economia global, além de uma expectativa de corte de juros no Brasil. Em 2020, o dólar ficou R$ 1,034 mais caro.



O dólar é considerado um dos investimentos mais seguros do mundo, ao lado do ouro e de títulos do Tesouro americano. Em momentos de forte aversão a risco, investidores tendem a comprar dólares ou fundos atrelados à moeda como forma de proteção. O mercado espera que o BC (Banco Central) brasileiro corte juros nesta semana em, pelo menos, 0,5 ponto percentual, o que levaria a Selic à mínima histórica de 3,75% ao ano.

A taxa básica de juros nesta faixa contribui para o dólar elevado por meio do carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os EUA, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, o Brasil. Com a Selic no atual patamar de 4,25%, essa operação deixa de ser vantajosa e estrangeiros retiram seus recursos, em dólar, do país, o que eleva a cotação.

Dentre todas as moedas do mundo, o real foi a segunda que mais se desvalorizou na sessão, atrás apenas do peso mexicano. No ano, a moeda brasileira é a que mais perde valor. Apesar da desvalorização do real no pregão, o BC não agiu para conter a alta do dólar com leilões de dólar à visa, de linha, ou de swaps cambiais, como costuma fazer. No pregão, o risco-país brasileiro medido pelo CDS (Credit Defautl Swap) de cinco anos, índice acompanhada pelo mercado financeiro para avaliar a capacidade de um país honrar suas dívidas, subiu 24%, a 325 pontos, maior patamar desde junho de 2016, período marcado pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT).

Nesta segunda, a Bolsa brasileira teve o quinto circuit breaker do mês. As negociações foram interrompidas por 30 minutos logo na abertura do pregão, quando a Bolsa caiu mais de 12%. No fechamento, o Ibovespa despencou 13,92%, a 71.168 pontos, menor nível de junho de 2018.


A turbulência do mercado financeiro desta segunda é fruto do segundo corte de juros extraordinário feito pelo Fed, banco central americano, neste mês. No domingo (15), o banco antecipou sua reunião marcada para esta quarta (18) e cortou a taxa básica de juros em um ponto percentual, incentivo monetário semelhante ao adotado em 2008, ano da crise financeira. Agora, os juros no país estão na faixa de 0 a 0,25% ao ano. Investidores veem o movimento como uma maneira de proteger bancos e empresas do risco de não serem capazes de honrar dívidas devido à paralisação da atividade econômica. Com juros próximos de zero e injeção de US$ 700 bilhões de liquidez, as companhias tem maior margem para contornar as dívidas. "O impacto econômico do coronavírus tem se mostrado cada vez maior. Empresas que estavam endividadas, pelo nível de juros mais baixos, começam a ter restrição para pagar suas dívidas e governos tentam conter isso. Essa crise foi bastante subestimada pelo mercado", afirma Carlos Menezes, sócio da gestora Gauss Capital.

Desde o início da crise do coronavírus, agências de classificação de risco têm rebaixado notas de crédito de dívidas corporativas. Nesta segunda, o processo se acelerou. O índice CDX, termômetro criado em 2012 para o risco de empresas americanas sem grau de investimento não honrarem suas dividas, subiu 20% nesta segunda e bateu recorde, a 672 pontos. Quanto maior a pontuação, maior o risco. Segundo Menezes, as áreas mais afetadas pro medidas de contenção também são umas das mais endividadas, como empresas aéreas, de turismo e de extração de petróleo. 



Além disso, em novo pronunciamento, o presidente americano, Donald Trump, disse que a pior fase do coronavírus deve ser entre julho, agosto, ou depois. "Os Estados Unidos podem estar caminhando para uma recessão". O presidente também pediu que pessoas evitem aglomerações por quinze dias. "


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