Dólar fecha abaixo de R$ 4,00 com cenário político
Moeda americana registra menor cotação desde o dia 10
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de maio de 2019
Moeda americana registra menor cotação desde o dia 10
Aline Machado Parodi - Grupo Folha 
O dólar teve novo dia de queda, com o real operando descolado de várias divisas de países emergentes nesta quarta-feira (29). Pela primeira vez desde o último dia 15, a moeda americana fechou abaixo de R$ 4,00. Novamente a queda do dólar aqui é atribuída por profissionais de câmbio à melhora do ambiente político em Brasília, o que aumenta a percepção de que o governo começa de fato a se articular com o Congresso e aumenta a aposta de aprovação da reforma da Previdência. Um fluxo grande de entrada, segundo operadores, por operações de comércio exterior, também contribuiu para o recuo. O dólar à vista fechou em baixa de 1,18%, a R$ 3,9759, a menor cotação desde o dia 10.
Alta do Ibovespa é puxada por papeis do setor financeiro
A aversão ao risco no mercado internacional colocou um freio no bom desempenho do mercado brasileiro de ações e o Índice Bovespa por pouco não teria sustentado sua terceira alta consecutiva. O principal índice da B3 alternou sinais desde a abertura, ora com a influência negativa do exterior, ora com o clima mais otimista com as reformas no Brasil. Ao final dos negócios, o indicador marcou 96.566,55 pontos, em alta de 0,18%. Na máxima do dia, o Ibovespa chegou aos 96.985,83 pontos (+0,62%). Contribuíram para a alta os papéis do setor financeiro, refletindo queda dos juros e melhora da percepção política. Itaú Unibanco PN subiu 1,88% e Bradesco PN ganhou 1,99%.
Longo prazo aprofunda queda com desempenho do dólar
O movimento de redução de inclinação da curva de juros, que começou no fim da manhã, ganhou força na etapa vespertina na medida em que as taxas de longo prazo aprofundaram a queda junto com o dólar, que encerrou no patamar de R$ 3,97. Já a ponta curta ficou entre a estabilidade e viés de alta. A taxa do contrato de DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2020 fechou em 6,33%, de 6,309% terça no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 passou de 6,611% para 6,600%. Nos longos, as taxas voltaram a renovar pisos históricos. O DI para janeiro de 2023 terminou com taxa de 7,66%, de 7,731% terça no ajuste, e o DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 8,22%, de 8,361%.
Cenário político e fraqueza econômica sustentam baixas
A redução de prêmios em função da melhora do cenário político e a percepção de fraqueza da economia mantêm-se como pano de fundo a sustentar o movimento do mercado e as taxas longas já chegam a níveis surpreendentes. Para o estrategista de mercado da Harrison Investimentos, Renan Sujii, há quase nenhuma dúvida de que a reforma da Previdência será aprovada e a questão agora é o timing e o valor da economia fiscal. Na política monetária, em meio à crescente pressão do mercado por um corte na atual Selic de 6,50% tendo como argumento principal a fraqueza da atividade, Campos Neto voltou a rechaçar qualquer movimento do Copom que tolere uma inflação maior em troca de estímulo ao PIB.


